Um casal de agricultores de Soutelo, no concelho de Mogadouro, viu o seu projeto de vida ligado à produção de mirtilos destruído pelo mau tempo, com prejuízos estimados em 15 mil euros em dois hectares de produção.
Os esteios de cimento e aço que fazem parte da estrutura da exploração agrícola foram partidos e rede de cobertura rasgada porque não suportou o peso da neve, sendo bem visíveis os prejuízos e a recuperação de todas as infraestruturas deverá demorar três meses.
Outra das situações visíveis no terreno são plantas de mirtilos partidas, que também vão levar o seu tempo a regenerar, o que compromete seriamente a produção deste ano.
Apesar de a nevada ter assolado o concelho de Mogadouro há pouco mais de uma semana, o casal de jovens agricultores só agora começou a fazer contas à vida.
Em declarações à agência Lusa, o proprietário, Carlos Pinto, disse que esta exploração de mirtilos faz parte do sustento da família e que agora é preciso reerguê-la.
“Tudo aconteceu há cerca de uma semana com a nevada que se fez sentir e agora, com a chuva, é que foi possível ver os estragos no terreno, que vão levar cerca de três meses a endireitar e já com a produção deste ano comprometida”, explicou.
O terreno de produção de mirtilos está completamente encharcado pela água das chuvas e para já não é possível realizar movimento de máquinas ou trabalhos em altura, devido aos perigos que isso acarreta.
“A nossa exploração e toda a estrutura foram feitas em 2017, e nunca tinha acontecido nada desta dimensão. Levantar toda esta estrutura, mesmo com ajuda da família, vai ser complicado. Há trabalhos em altura para fazer, mas por agora é perigoso e só nos resta esperar por melhores dias, mas desistir nunca”, frisou.
Segundo Carlos Pinto, a situação só ficará normalizada quando os mirtilos começarem a rebentar e a florir, e não podemos andar a mexer nas redes de proteção da cultura porque estraga a floração e consequente a produção do fruto.
“Toda esta situação vai afetar toda a produção do mirtilo este ano e, assim, temos de esperar pela colheita do próximo ano”, indicou.
O produtor lembrou ainda que no último ano em que a exploração ainda não tinha a rede montada registou uma perda estimada de cerca de dois a três mil quilos de mirtilos que os pássaros levaram.
“Esta é uma zona de poucas árvores de frutos e durante cerca de dois meses os pássaros vão atacar por aqui, porque se habituam e não saem de cá”, sublinhou.
Para tentar superar os estragos, o produtor disse que já encetou diligências junto das organizações da lavoura para receber eventuais ajudas.
Nilda Escaleira, a coproprietária da exploração, mostrou-se triste com o que aconteceu, classificando o atual cenário como “uma situação dolorosa”, porque se trata de um projeto de vida.
“É um trabalho de uma vida que ficou destruído em apenas umas horas e não estávamos a contar, e é o nosso sustento”, reforçou.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.













































