Vítimas de Pedrógão Grande com nova líder

A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) escolheu este sábado uma nova direção, presidida por Dina Duarte, que encabeçou a única lista concorrente às respetivas eleições. O reordenamento da floresta, designadamente para prevenir fogos, e a adoção de medidas para tornar as aldeias e vias de comunicação da região seguras são das principais preocupações da nova presidente, recordando que há promessas dos responsáveis que continuam por cumprir.

“O território tem de ser seguro para quem nele vive” mas também para quem o visita, afirmou à agência Lusa Dina Duarte, sustentando que a região continua a ter muitas e fortes razões para ser “descoberta ou redescoberta”. É necessário, por exemplo, criar alternativas às queimas e queimadas, feitas, na maior parte dos casos por pessoas idosas e sem condições para evitarem o risco de incêndio.

A AVIPG também se propõe contribuir para demonstrar que quem vive ali “é gente de bem”. Nem sempre a imagem da região corresponde a essa realidade, lamenta Dina Duarte, reconhecendo que as construções e reconstruções de casas atingidas pelos fogos permitiram situações menos corretas, mas que foram da responsabilidade de apenas uma ou outra pessoa e não da generalidade da população.

A nova direção da associação, cuja lista se candidatou sob o lema “Renascer por todos”, resulta “da vontade de alguns associados em ter uma abordagem de maior proximidade com todas as vítimas”, recorda Dina Duarte. Todos os membros dos novos corpos gerentes são feridos e familiares de vítimas dos incêndios de junho de 2017 e todos residentes na zona atingida por aqueles fogos, sublinha.

Dina Duarte, uma das habitantes do Nodeirinho que mais se destacou no apoio às vítimas do fogo, sucede na liderança da associação a Nádia Piazza. Integram os novos corpos gerentes da AVIPG, cuja posse está agendada para 2 de janeiro, Rui Rosinha, o bombeiro de Castanheira de Pera que esteve meses hospitalizado (vice-presidente), Filipa Rodrigues (tesoureira) e José Carlos Santos (vogal), também feridos com gravidade, entre outros familiares de feridos ou vítimas.

As chamas, que deflagraram em 17 de junho de 2017 no município de Pedrógão Grande, no interior do distrito de Leiria, e que alastraram a concelhos vizinhos, fizeram 66 mortos e 253 feridos. Atingiram cerca de meio milhar de casas e quase 50 empresas e devastaram 53 mil hectares de território, 20 mil hectares dos quais de floresta.

O artigo foi publicado originalmente em Expresso.

Comente este artigo
Anterior Sem agricultura não há floresta
Próximo Previsão semanal 15-21 Dezembro

Artigos relacionados

Nacional

Açores “está a trabalhar” para garantir “rápido e eficaz escoamento de bovinos das Flores”

O Director Regional da Agricultura afirmou hoje, 11 de Janeiro, que o Governo dos Açores está a trabalhar, “desde a primeira hora, […]

Últimas

Javalis agravam medo de contágio de peste suína no Alentejo

[Fonte: TSF] Vários casos da doença na Europa deixam em alerta os produtores portugueses.

O aumento de javalis nos campos do Alentejo está a deixar os produtores do porco preto em alerta máximo, […]

Últimas

Das doenças das plantas à Covid-19. Universidade de Évora adapta laboratório para fazer testes ao novo coronavírus

Este especialista em Química e Ciências do Património, também diretor do Laboratório HERCULES, revela que, “dentro de duas semanas”, vai chegar “um extrator automático, […]