“Vamos ter que fixar pessoas no mundo rural para evitar os fogos florestais”

“Vamos ter que fixar pessoas no mundo rural para evitar os fogos florestais”

Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais foi apresentado na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima e prevê um investimento de 500 milhões de euros/ano na prevenção de fogos.

A prevenção dos fogos rurais e florestais exige uma profunda alteração da paisagem, não só da região como do país inteiro. A ideia foi defendida por Marcos Liberal, chefe do Núcleo Sub-Regional do Alto Minho e Cávado da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, no decorrer do seminário de apresentação do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais. O encontro decorreu ontem na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC).
A alteração passa pela fixação das populações no meio rural.

“Temos que alterar a paisagem para que, de alguma forma, possamos salvaguardar a vida das pessoas, os bens e a natureza. O mosaico agrícola que havia há uns anos, com o abandono das zonas rurais, deixou de existir, e agora é tudo pasto para o fogo. Temos de criar condições para que haja outras ocupações do solo, fixar as pessoas, criar valor no espaço rural e modificar os comportamentos das pessoas”, defendeu Marcos Liberal.
O chefe do Núcleo Sub-Regional do Alto Minho e Cávado acrescentou ainda que actualmente se aposta mais no combate aos incêndios (com o reforço de meios humanos e materiais no terrenos, nas ditas ‘épocas de incêndio) do que na prevenção dos mesmos. “Com os incêndios de Junho e Outubro de 2017 percebemos que tínhamos de mudar de paradigma. Não podemos ter as mesmas soluções, apostar só no combate, por percebemos que isso não resulta. Constatamos que não fizemos a prevenção adequada”, apontou Marcos Liberal.

Para ajudar nessa ‘batalha’ foi criado o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, que prevê um investimento na ordem dos 500 milhões de euros por ano, até 2030, na prevenção dos incêndios rurais.
“Esse dinheiro vai ser distribuído por todas as entidades públicas e privadas e terá uma divisão entre a prevenção e o combate, na ordem dos 60 por cento para a prevenção e 40 por cento para o combate” anunciou Marcos Liberal.
A presidente da Escola Superior Agrária do IPVC, Isabel Valin, frisou que o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais “é uma temática actual. A temática dos fogos rurais também é actual porque se perpetua nos anos. Por isso é necessário pensar nela de forma continuada.”

A responsável escolar lembrou também os incêndios de 2017 para defender que “é necessário procurar soluções em diferentes áreas. Foi com esse pensamento que a escola apostou na formação.
“O nosso contributo é a dois níveis: quer na investigação e a formação. Formamos técnicos que sejam competentes e capazes de dar soluções a estas temáticas. Destaco o Curso Técnico e Superior Profissional em Riscos e Protecção Civil e a Licenciatura de Engenharia do Ambiente. São cursos que permitem aos técnicos responder aos desafios que se colocam nesta temática dos fogos rurais”, disse Isabel Valin. O curso vai regressar ao plano curricular da escola no próximo ano lectivo.
O Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais está em discussão pública até ao dia 5 de Fevereiro.
Entre os objectivos do plano está o redimensionamento da propriedade rural (através de um regime único de cadastro predial e da implementação de mecanismos reguladores de prédios rústicos), o aumento da remuneração dos proprietários com a reforma do modelo de gestão florestal e disponibilização de incentivos jurídicos e financeiros à valorização dos espaços rurais.

O artigo foi publicado originalmente em Correio do Minho.

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