O seminário “Vamos Falar de Leite? – Das Proteínas Lácteas à Sustentabilidade”, promovido pela ALIP – Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios, decorreu na Lisbon Food Affair, em Lisboa, reunindo especialistas das áreas da nutrição, indústria e gastronomia para um debate alargado sobre o papel dos lácteos na alimentação, na economia e na sustentabilidade.
O painel contou com a participação de Anabela Gomes, Diretora da Sustentabilidade e Qualidade Corporativa da Lactogal, da nutricionista Joana Ribeiro, da Associação Portuguesa de Nutrição, e do chef Rodrigo Castelo, sob a moderação do Secretário-Geral da FENALAC, Fernando Cardoso.
Nutrição: regressar à base e valorizar a dieta mediterrânica
Para Joana Ribeiro, “é essencial voltar à base, isto é, a uma alimentação equilibrada que tenha por base a dieta mediterrânica, um padrão alimentar já muito conhecido e muito estudado, não só ao nível da prevenção de doenças, mas também da sustentabilidade”.
A especialista recordou que os lácteos integram este padrão alimentar, recomendando-se o consumo de 2 a 3 porções diárias, bem como uma ingestão proteica adequada – cerca de 0,8 g por quilograma de peso corporal.
Relativamente ao mito da lactose, sublinhou que “não é mais do que um macronutriente do leite e pode ser consumido sem qualquer receio, desde que não haja qualquer tipo de intolerância”, reforçando que a nutrição deve ser acompanhada por profissionais qualificados.
Sustentabilidade: proteína como ativo estratégico
Na perspetiva da indústria, Anabela Gomes destacou que “a proteína é um ativo sustentável porque há uma ligação entre o valor da proteína e o território, os produtores de leite, a indústria, a ciência e o consumidor”.
A responsável da Lactogal reconheceu que as tendências de consumo têm evoluído. O leite líquido tem vindo a perder expressão face à procura crescente por queijos com alto teor de proteína, shakes proteicos e queijo cottage.
Num equilíbrio entre ciência, inovação e saúde do consumidor, a empresa tem reforçado o investimento na sustentabilidade e no bem-estar animal, contando já com um número significativo de produtores que asseguram, diariamente, leite com proteína A2, reconhecida pela sua digestibilidade.
Gastronomia: tradição, inovação e responsabilidade
Distinguido com duas Estrelas Michelin e uma Estrela Verde, o chef Rodrigo Castelo sublinhou que falar de lácteos é, inevitavelmente, falar de gastronomia.
No seu restaurante, a sustentabilidade é aplicada de forma transversal, desde o reaproveitamento de produtos à valorização de ingredientes locais. “Usamos muito leite, nata, queijo e manteiga. Sendo a nossa cozinha portuguesa, onde o azeite é obrigatório, por vezes conseguimos usar mais a manteiga como ingrediente de confeção”, partilhou o chef.
20 anos a representar a fileira leiteira
Este seminário assinala o arranque das comemorações dos 20 anos do Laboratório Interprofissional do Leite e Laticínios da ALIP, o único em Portugal e cuja atividade é acreditada pelo IPAC, assegurando elevados padrões de qualidade e rigor técnico ao serviço do setor.
Enquanto entidade representativa da fileira leiteira nacional, da produção à indústria, a Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios reforça, assim, o seu compromisso com a promoção de informação científica, a valorização da proteína láctea e a sustentabilidade de toda a cadeia de valor do leite português.
Fonte: ALIP













































