Uma “palhaçada”: o grupo de especialistas que o Ministério do Ambiente criou e depois ignorou

Uma “palhaçada”: o grupo de especialistas que o Ministério do Ambiente criou e depois ignorou

Bastonário da Ordem dos veterinários ameaça sair do grupo de trabalho sobre o bem-estar animal, criado pelo Governo há menos de dois meses e que não devia servir para “manobras políticas”, conta o “Público”

Jorge Cid é por estes dias um homem chateado. O bastonário da Ordem dos Veterinários acusa o Governo de ignorar o grupo de trabalho que o próprio executivo criou para reflectir sobre o bem estar animal em Portugal, depois da morte de 70 cães em canis de Santo Tirso. Além da Ordem dos Veterinários, o grupo de trabalho é composto por representantes da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Procuradoria-Geral da República e das associações de defesa dos animais.

“Ou as coisas são resolvidas de forma séria ou não estou disponível para continuar nesta palhaçada”, disse o bastonário ao “Público”. Em causa está a escolha da nova Provedora dos Animais. O Ministério do Ambiente pediu ao grupo de trabalho para decidir os critérios para o cargo, mas depois ignorou todo o trabalho realizado até agora, anunciando o nome esta segunda-feira: Laurentina Pedroso, ex-bastonária dos veterinários e à frente da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Lusófona. Segundo Jorge Cid, não está em causa a pessoa escolhida mas a forma como o processo foi levado a cabo pelo Governo.

O bastonário critica a falta de coordenação entre o ministério liderado por Matos Fernandes e o Ministério da Agricultura. E há mais especialistas que acusam o Governo de ignorar o trabalho e pareceres desenvolvidos. “Fiquei parva, criam-se estes grupos para nada. Vou escrever ao ministro Matos Fernandes, porque as associações devem ser ouvidas em questões primordiais como esta”, disse Maria do Céu Sampaio, representante das associações de defesa dos animais. Jorge Cid conclui: “O Governo tem ignorado este grupo, que é de caráter técnico e está indisponível para manobras políticas. Pessoalmente, não gosto de ser ultrapassado”. Ao “Público”, o Governo não se pronunciou sobre o caso.

O artigo foi publicado originalmente em Expresso.

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