Um país não pode tudo mas tem responsabilidade no clima, diz Catarina Martins

Um país não pode tudo mas tem responsabilidade no clima, diz Catarina Martins

A coordenadora do BE sabe que “um país não pode tudo”, mas destaca a responsabilidade de contribuir para a travagem do aquecimento global uma vez que com “o clima não se negoceia” e faliu a política do capitalismo verde.

No programa eleitoral do BE às eleições legislativas de 06 de outubro, que é hoje divulgado na totalidade, a nota introdutória é assinada pela líder bloquista, Catarina Martins, um texto de duas páginas intitulado “Escolhas fortes para responder às crises”, a maior de todas a emergência climática.

“Sabemos que um país não pode tudo. Mas a responsabilidade de cada país, que é também a nossa, é ser participante ativo de uma comunidade internacional que trave o aquecimento global”, defende.

Cada governo, na perspetiva de Catarina Martins, “tem, perante o seu povo, a responsabilidade de tornar o seu território e as suas infraestruturas mais resistentes às crescentes dificuldades” que vai ser preciso enfrentar.

“Com o clima não se negoceia. Faliu a política dos pequenos passos, da consciencialização individual e do capitalismo verde”, avisa, apontando a urgência de “uma nova estratégia” porque não se pode esperar mais.

A resposta à emergência climática é, justamente, uma das três bandeiras do BE a estas eleições legislativas, às quais se juntam o combate à precariedade e “salvar a saúde”, tal como se pode constatar na capa do programa eleitoral, sob o mote “Faz acontecer”.

No capítulo da emergência climática, o BE propõe os centros das grandes cidades, como Porto e Lisboa, “sem carros e com transportes públicos gratuitos”, apostando ainda num plano ferroviário nacional para mudar a mobilidade e a coesão territorial.

Para adaptar a produção e o território às alterações climáticas, os bloquistas defendem a reconversão industrial para reduzir as emissões e uma resposta aos incêndios florestais através da conclusão do Cadastro da Propriedade Rústica, de um plano de controlo público e gestão de propriedades abandonadas e da redução da área de eucalipto, no âmbito de um plano de reflorestação nacional que combata as plantas invasoras com espécies autóctones.

A redução do plástico e eliminação das embalagens descartáveis é outra das linhas orientadoras em matéria de emergência climática, sendo a meta do BE a “transição energética para atingir a neutralidade carbónica até 2030”.

A nota introdutória do programa eleitoral começa por falar dos “tempos de grandes incertezas” que se vivem e “sob permanente ameaça de novas crises”, defendendo que “a estabilidade vivida em Portugal não apaga o sentimento de insegurança que aumenta com a precariedade como horizonte (recibos verdes, estágios, temporários, outsourcing, ‘uberização’) e o desemprego como ameaça”.

“Os salários baixos tornam-se ainda mais curtos com a explosão do custo da habitação e não faltam as projeções sobre a queda demográfica e a insustentabilidade da Segurança Social”, avisa ainda.

No entanto, na visão de Catarina Martins, a todas estas crises e ameaças “junta-se a maior de todas: a emergência climática”.

Para a líder do BE, o capitalismo é o nome das várias crises que se vivem atualmente.

“Não há soluções sem a coragem e a sensatez de políticas socialistas, as que podem responder pelo clima, pelo emprego, pela segurança”, defende.

De forma sucinta, Catarina Martins refere que é esse o “caminho que o Bloco propõe”, elencando que “Portugal precisa de uma estratégia para a reconversão energética, do território, dos transportes, da indústria, da habitação”, programa esse financiado “por uma economia mais justa, com controlo público dos setores estratégicos e que cria emprego”.

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