Suplemento Agrovida de Dezembro Vida Económica – Editorial Teresa Silveira

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Na demografia como no clima, fazer acontecer mudanças com expressivo significado na vida de um país exige políticas estruturantes e investimentos avultados ao longo de décadas. E temos sempre de contar com a imponderabilidade do destino.

Os incentivos à natalidade, ou são suficientemente atrativos e associados a medidas social e economicamente inclusivas de médio/longo prazo, ou não produzem resultados palpáveis, como, aliás, nos temos dado conta nos últimos anos. Portugal registou em 2016 a segunda taxa de natalidade mais baixa na UE28 – 87 mil nascimentos, ou seja, 8,4 por cada 1000 habitantes – e foi um dos países cuja população diminuiu, diz o Eurostat. E, mesmo perante a frieza impiedosa dos números , ainda nenhum Governo olhou imediato e ‘pegou o touro pelos cornos’.

Vem isto a propósito das aleatoriedades climáticas dos últimos meses. O outono de 2017 em Portugal continental foi o segundo mais seco desde 1931 (depois de 1971) e o quinto mais quente desde 2000. E se há 3500 agricultores beneficiados pelo regadio de Alqueva, os escaldões e a seca começam a gerar efeitos danosos nas restantes explorações sem acesso à água, com incidência direta na economia das culturas, dos produtores e do país. De Trás-os-Montes ao Douro e ao Algarve, do vinho ao azeite, aos frutos e aos cereais, todos se ressentem mais e mais a cada dia que passa sem chover.

É certo que um país como Portugal não risca (quase) nada na origem das mudanças climáticas que se estão a gerar a nível global. E, mesmo com Centeno no Eurogrupo e Guterres na ONU, ainda não temos o poder de mandar chover. É por isso que, ou olhamos o problema das barragens e do acesso à agua disponível bem de frente, ou (sobre)viveremos à mercê do que a Natureza e certos interesses nos querem impor.

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