Ecossistema Startup – Francisco Manso

Ecossistema Startup – Francisco Manso

Assistimos ao aparecimento de inúmeras “startups” no setor. Elas ocupam grandes eventos, fazem feiras, têm locais de incubação, movimentam somas de dinheiro impressionantes e estão a ocupar-nos as noticias e o nosso espaço televisivo… Mas o que é afinal uma uma startup?

Tal como uma semente de uma grande árvore uma startup é uma semente de uma grande empresa. Se tudo correr muito bem será grande e valerá muito dinheiro mas tudo poderá durar pouco tempo e não passar de um projeto muito curto e com pouco ou nenhum impacto.

Para ser uma startup é preciso reunir 3 ingredientes:

1- Uma boa ideia.

2- Uma boa equipa

3- Um bom plano de execução

Estes 3 ingredientes tem de ser muito especiais, são eles que fazem a diferença entre fracassar ou poder ter sucesso.

A ideia

A ideia deve ser tão única quanto possível, deve conter um ingrediente especial que constitua uma vantagem competitiva face aos concorrentes existentes e deve ter o máximo de valor para o mercado. A ideia tem de ser facilmente e rapidamente vendável em todo o mundo, sem esta condição não existe uma startup.

A equipa:

A equipa é essencial para uma startup. Deve ser constituída por pessoas motivadas e perseverantes e devem ser pessoas com algum tipo de recursos financeiros ou como vim a descobrir estar disposta a trabalhar muito tempo sem receber dinheiro.

O plano de execução:

O plano de execução tem de ser bom e ter em vista o “domínio do mundo”. O objetivo de uma startup deve passar por um dia vir a ser adquirida por outra empresa maior e esse plano deve estar muito bem detalhado em termos de recursos e tempos necessários para que tal aconteça.

A startup na sua fase inicial “seed stage” tem geralmente como principal objetivo arranjar financiamento para executar o seu plano.

Nesta fase procura um investidor através da apresentação de  um “pitch” que é uma breve apresentação da sua ideia, equipa e a forma de execução.

O investidor que decide investir na startup geralmente oferece uma quantidade de dinheiro que permita a execução  do plano e em troca fica com uma percentagem da futura empresa.

Sendo um investimento de alto risco pode perder tudo ou ser enormemente compensado. Os valores normais são múltiplos de 2 ou 3 mas a titulo de exemplo posso enumerar um investidor da Uber que investiu 300 mil dolares em 2010 e que passados 6 anos realizou um múltiplo superior a 4300. (Isto é o seu investimento valeu-lhe 1,3 biliões de dolares).

O valor da startup é decidido em função de alguns parâmetros como:

– Potencial de mercado.

– Qualidade da ideia, equipa e plano de execução

– Concorrência.

– Estado de desenvolvimento do projeto.

– Propriedade industrial.

O valor decidido em fases iniciais é altamente subjetivo e muito especulativo. O valor decidido determina a quantidade da empresa que o investidor detém por contrapartida do dinheiro que investiu. Por exemplo uma startup que levante 200mil euros a uma valorização de 1 milhão irá dar 20% do seu capital aos seus investidores.

A startup vai sempre tendo de gerir 2 tipos de negócios diferentes.

Por um lado vender os seus produtos, por outro vender-se a si própria como empresa. É normal depois de ter levantado a primeira fase de investimento, chamada “seed capital”, seguirem-se novas fases com valorizações crescentes, chamadas round A, round B…

O setor agrícola é um dos setores onde o aparecimento de startups cresceu enormemente. Tal actividade deve-se a um conjunto de oportunidades e desafios que o setor apresenta e para os quais a tecnologia será a solução. Muitas irão morrer ou transformar-se em pequenas empresas (falhando assim os seus propósitos) outras irão vencer e tornar-se em gigantes.

Portugal tem um património de startups enormes e que se pode transformar num grande património capaz de gerar emprego e atrair capital externo para o pais.

Mesmo sabendo que o caminho é duro, que são enormes os riscos e que as probabilidades de sucesso são baixas decidimos montar a trigger.systems. A trigger dedica-se à gestão e optimização de recursos para o setor agrícola (água, energia, fertilizantes, humanos, equipamentos e outros). A trigger implementa sistemas de gestão e operação capazes de reduzir custos e ineficiências em mais de 20%. Inicialmente com 3 funcionários já somos mais de 20 e estamos presentes fisicamente em 3 países.  Inicialmente sem clientes ou dispositivos conectados contamos já com mais de 2500, crescemos a um ritmo elevadíssimo e ainda na fase Seed levantamos um valor recorde de financiamento nacional e internacional.

Na experiência  de construir uma start-up descobri que apesar dos enormes riscos e o longo período sem qualquer ordenado a experiência é um excelente desafio e um otimo processo de formação e aprendizagem.

As probabilidades de sucesso iniciais são inferiores a 3% mas é possível vingar e afinal de contas é 4 milhões de vezes mais provável que ganhar o euromilhões!

Francisco Manso

CEO – Trigger Systems

 

Receba este artigo na Newsletter do Agroportal

Anterior Agriculture. Vivre sans les pesticides, c'est possible
Próximo Vigil'oust rencontre la Chambre d'Agriculture

Artigos relacionados

Opinião

Reforma da floresta? Que venha a contra-reforma – Francisco Gomes da Silva

Recentemente o Governo divulgou o conjunto de medidas que irão dar corpo à pré-anunciada “Reforma da Floresta”. Num gesto que se saúda, este “projeto de reforma das florestas” foi colocado em discussão pública por um período de três meses, findo o qual o Governo e a Assembleia da República, […]

Opinião

Será que a floresta portuguesa precisa de reforma? – António Gonçalves Ferreira

Devíamos primeiro tentar saber o que é preciso para que a floresta portuguesa se torne mais forte, e sobre isso há muitas vozes concordantes:

Melhorar a defesa da floresta, à escala da paisagem e não à escala da unidade de exploração. As ZIF (Zonas de Intervenção Florestal) são o exemplo óptimo deste tipo de acção, […]

Sugeridas

A agricultura portuguesa teve em 2016 um dos piores resultados económicos da última década e meia – Francisco Avillez

1. No passado dia 13 de Dezembro foi publicada pelo INE (consultar aqui) a primeira estimativa das Contas Económicas da Agricultura (CEA) para o ano de 2016, cujos resultados económicos alcançados foram globalmente muito negativos, apesar do rendimento da actividade agrícola ter crescido 5,8% em relação a 2015. […]