Secretário da Agricultura limita-se a agenda de charme e cortesia

Secretário da Agricultura limita-se a agenda de charme e cortesia

“Ao afirmar publicamente que não é o governo que vende leite ou produtos lácteos, o Secretário Regional da Agricultura procura desresponsabilizar-se da situação gravosa que vive o setor de leite e lacticínios, tentando que produtores e industriais assumam essa responsabilidade”, criticou.

Segundo o social democrata, o diálogo com todos os parceiros do setor agrícola “é pertinente e útil, se conduzir à tomada rápida de decisões e ao cumprimento dos compromissos públicos assumidos, nomeadamente os pagamentos de apoios em atraso, que já contam em alguns casos com a redução dos montantes esperados para cada agricultor. Ou nos apoios à cultura de milhos forrageiros, e ainda o atraso na aprovação de candidaturas de apoio ao investimento”, elencou.

António Almeida lembra que o Governo dos Açores e a Secretaria da Agricultura “detêm os instrumentos de politica económica e financeira para promover o desenvolvimento setorial. E foram essas entidades a determinar as orientações dos programas de apoio ao investimento da União Europeia na Região e das ajudas às perdas de rendimentos no setor”.

“Com o fim das quotas leiteiras, decisão conhecida há muitos anos, eram mais que previsíveis o comportamento previsível dos mercados, o aumento global da produção leiteira e a quebra comprometedora dos preços do leite à produção”, refere o deputado.

“Desses factos decorre ainda a perturbação dos mercados, designadamente do mercado continental português, onde se destinam mais de 75% dos produtos lácteos dos Açores. Isso face à concorrência agressiva no segmento de produtos onde a Região tem sustentado as suas produções”, acrescenta.

O social democrata defende que “estudar os mercados emergentes com interesse para as produções açorianas, e apoiar o desenvolvimento de produtos diferenciados de maior valor comercial, exige a disponibilização de instrumentos públicos de apoio ao investimento nas indústrias. Isto com vista à resolução estrutural do problema de requalificação e valorização da economia agrícola dos Açores, garantindo a redistribuição do rendimento junto dos agricultores”.

Para António Almeida, “reduzir as soluções urgentes à uma reclamação junto de Bruxelas para o aumento do POSEI, que muitos responsáveis dizem ser tarefa cada vez mais difícil no contexto orçamental e de interesses na União Europeia, significa empurrar a responsabilidade para terceiros. Quando continuamos a assistir à ausência de uma estratégia regional na defesa da economia rural açoriana”, considera.

O deputado do PSD/Açores conclui dizendo que “se o problema da perda de rendimento do setor leiteiro for resolvido apenas com o recurso à baixa do preço de leite aos produtores, caminharemos para um desastre com consequências graves, muito para além da Agricultura”.

Comente este artigo
Anterior Dekalb quer ajudar a produzir mais milho com menos recursos
Próximo Produção agrícola vegetal na Madeira é muito superior à média do país

Artigos relacionados

Sugeridas

O setor agrícola e a sociedade: o que muda na ressaca da pandemia?

Admito poder estar completamente enganado (e se assim for, peço desculpa a quem gastou tempo a ler este texto), mas a minha perceção é de que nada […]

Últimas

Governo abre concurso de 2,75 M€ para aconselhamento agrícola e florestal

O Ministério da Agricultura abriu esta segunda-feira (20 de maio) um novo concurso para apoiar o fornecimento de serviços de aconselhamento agrícola e florestal no valor de 2,75 milhões de euros. […]

Últimas

Agroop de volta à Seedrs para se financiar em 500 mil euros

A startup nacional de tecnologia para o setor agrícola lançou uma nova operação de equity crowdfunding na Seedrs. A empresa está […]