Seca “dramática” afecta lavoura no Campo Branco

Seca “dramática” afecta lavoura no Campo Branco

A lavoura no Campo Branco, onde imperam as culturas de sequeiro e a pecuária, vive “dias difíceis”. O lamento parte do presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), com sede em Castro Verde, que reconhece que os últimos anos têm sido “dramáticos” para o sector nesta região, em grande parte devido à prolongada seca que afecta o território.
“Este ano ainda choveu alguma coisa na Primavera, o que deixou uma pequena esperança. Mas essa chuva chegou em grande parte muito tarde no que diz respeito às culturas de Outono/ Inverno, que já estavam feitas e já tinham sofrido a seca, logo grande parte não teve recuperação”, admite ao “CA” José da Luz Pereira.
De acordo com o presidente da AACB, em 2020 a produção agrícola nesta região “foi muito fraca, quer em produção de forragens quer em produção de grão, sendo bastante inferior às expectativas que se criaram”.
“A maioria das culturas de Outono/ Inverno, feitas em Outubro e Novembro, tiveram quebras muito significativas, na ordem dos 40/50%. Houve produções a não serem sequer ceifadas”, acrescenta.
Para José da Luz Pereira, este “é mais um ano de prejuízos acumulados, que infelizmente se agravaram muito com a questão da Covid-19, na medida em que os preços pagos à pecuária caíram vertiginosamente”.
“Não há escoamento da produção animal e os preços tiveram baixas como há muito tempo não acontecia”, sobretudo os bovinos, observa José da Luz Pereira, indicando que neste caso “a queda é de 50 cêntimos no preço por quilo”.
Além do mais, “não é só a quebra no preço, mas também a dificuldade em escoar. Porque não há procura”, frisa.
Relativamente aos ovinos, o presidente da AACB revela que “tem havido alguma recuperação, graças a terem sido vendidos animais para Israel”. “Por isso, os preços têm-se mantido”, diz.
Este quadro leva o dirigente associativo a considerar que o sector agro-pecuário na região do Campo Branco “está a atravessar um momento que, se já era complicado, agora é muito difícil” e cuja recuperação não se sabe “como será conseguida”.
“A situação é muito complicada e tem-se vindo a agravar. Nós na associação notamos muito bem as dificuldades que as pessoas vão tendo. As pessoas gostam de honrar os seus compromissos, mas ultimamente vêem-se em grandes dificuldades para os poderem cumprir e nós temos que, dentro das nossas possibilidades, conceder facilidades de pagamento pela prestação de serviços que efectuamos”, admite José da Luz Pereira.

Texto publicado no destaque “Campo”, editado pelo “Correio Alentejo” na sua edição de 7 de Agosto

O artigo foi publicado originalmente em Correio Alentejo.

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