Reutilização da água na irrigação agrícola deverá aumentar com novas regras europeias

Reutilização da água na irrigação agrícola deverá aumentar com novas regras europeias

O Parlamento Europeu aprovou recentemente um conjunto de novas regras para facilitar a reutilização de água na irrigação agrícola, uma medida que pretende responder às crescentes alterações climáticas.
Em declarações ao Jornal Económico, o eurodeputado José Inácio Faria, do Movimento Partido da Terra (MPT), explica que “este tipo de medidas, que permitem racionalizar os nossos recursos são por demais necessárias, sobretudo no setor da água onde percebemos que Portugal pode ter algumas vulnerabilidades. Por um lado, temos o impacto das alterações climáticas, com a subida global da temperatura média, que tem agravado situações de seca em alguns locais do país. Por outro lado, devido à nossa circunstância de proximidade marítima, temos a ameaça da salinização (entrada de água do mar) nos aquíferos que são explorados perto da costa”.

Há já vários Estados-Membros do sul da Europa que possuem requisitos aplicáveis à reutilização de água, contudo, são vários os países da União Europeia que sofrem períodos de seca e de sobreexploração das suas fontes de água.

“Não há necessidade de termos água potável para consumo humano em todos os contextos de utilização de água. Pois se a UE concordou num Plano de Ação para a Economia Circular e se temos boas práticas em algumas nações europeias para a reutilização de água, faz todo o sentido que aproveitemos para outros fins as águas que passaram por nós uma vez, obviamente que com critérios de tratamento diferenciados para que sejam seguras em cada situação de reutilização”, diz ainda o eurodeputado.

Carla Graça, vice-presidente da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, refere ainda ao Jornal Económico que o impacto destas medidas em Portugal vai depender da forma como forem aplicadas. “Deverão ser implementados sistemas junto das autarquias para que a água reciclada seja a principal origem nos usos urbanos de lavagem de frotas e pavimentos e regas de jardins e espaços verdes. Uma campanha sem que as opções sejam claras e a infraestrutura esteja criada terá pouco ou nenhum impacto”, defende.

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O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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