Relatório DGAV: Venda de pesticidas cai 17% em 2017. O valor mais baixo desde 2002

Os agricultores portugueses compram cada vez menos pesticidas. As vendas de produtos fitofarmacêuticos durante o ano de 2017, em Portugal, sofreu um novo decréscimo de cerca de 17% relativamente ao ano de 2016, atingindo assim o valor mais baixo desde 2002.

Estes são alguns dos resultados do “Relatório de vendas de Produtos Fitofarmacêuticos – 2017”, agora publicado pela DGAV — Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária.

“O quantitativo de vendas de produtos fitofarmacêuticos ocorrido durante o ano de 2017 sofreu um decréscimo de cerca de 17% relativamente ao ano de 2016, atingindo o valor mais baixo desde 2002, e totalizou 8.106.841 kg, expressos em substância activa”, revela o Relatório da DGAV.

Os quantitativos são apresentados por função e por grupo químico, tendo sido adoptado o critério de classificação recomendado pelo ‘Statistical Office of the European Communities – Eurostat’.

Fungicidas representam 52% das vendas

No seu conjunto, fungicidas, herbicidas e insecticidas representaram cerca de 86% do total de produtos fitofarmacêuticos vendidos. Os outros produtos fitofarmacêuticos em que se incluem produtos para tratamento do solo (nematodicidas/fumigantes), rodenticidas, reguladores de crescimento, moluscicidas e óleos vegetais representam os restantes 14%.

Os fungicidas totalizaram cerca de 52% do total das vendas, das quais o enxofre perfez cerca de 21%, correspondendo a 40% do valor total de fungicidas comercializados e cerca de 70% dos fungicidas inorgânicos comercializados.

A venda de herbicidas representou cerca de 23% do total das vendas e os insecticidas/acaricidas, que passaram a incluir os óleos minerais dada a sua especificidade de utilização exclusiva como insecticida, 11%.

Os restantes produtos fitofarmacêuticos representaram cerca de 14% do total do volume de produtos fitofarmacêuticos vendidos.

Obrigação de comunicação

A colocação no mercado de produtos fitofarmacêuticos pelos titulares das respectivas autorizações está associada ao dever de comunicação às autoridades competentes, das vendas efectuadas daqueles produtos, nos termos da legislação comunitária e nacional relativa às estatísticas sobre produtos fitofarmacêuticos.

A questão da confidencialidade “é uma questão especialmente considerada quando grande parte das 273 substâncias activas a que se refere este relatório, associadas aos produtos fitofarmacêuticos, que dispunham de uma autorização para a sua colocação no mercado a 31/12/2017, são comercializadas por três ou menos empresas da especialidade, razão que determina que devem tratamento confidencial”, explica o Relatório.

E acrescenta que esta situação é ultrapassada agregando a informação por grupos de função, só abordando sub-grupos e substâncias activas quando de algum modo são relevantes e simultaneamente quando a sua confidencialidade não é posta em causa. “Com estas condicionantes o relatório seguinte teve de ser necessariamente simplificado”.

Pode consultar o “Relatório de vendas de Produtos Fitofarmacêuticos – 2017” aqui.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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