Portugal aprende a combater fogos com o Chile

Portugal aprende a combater fogos com o Chile

São quatro horas da tarde de um dia de verão, no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Pela frente, há um incêndio. No comando das operações de combate ao fogo está o perito chileno Sílvio Ávila.

“Estamos perante um incêndio imaginário, mas com muita informação que tem que ver com incêndios florestais”, conta-nos o especialista, explicando, ainda, que a simulação serve para os agentes florestais testarem no terreno o “conhecimento que aprenderam na sala de aula”.

Na matéria aprendida ao longo de uma semana de formação estão temas como “a estratégia de posição no terreno ou as regras de segurança que são um pouco diferentes do que estamos habituados”, resume o formando Luís Gonçalves.

“Estamos a fazer faixas de contenção para salvaguardar um povo, uma aldeia ou um parque de campismo”, descreve o agente florestal de Melgaço, segurando nas mãos uma moto-roçadora. O perito chileno quer pôr os portugueses a tirar melhor proveito desta e de outras ferramentas na hora de atacar os fogos. O segredo, revela Filipe, outro formando, é “usar mais a cabeça e menos o musculo”.

O objetivo, explica Sílvio Ávila, é “tirar o melhor rendimento das ferramentas manuais para que os operacionais não se desgastem em 10 minutos” porque “um incêndio pode durar dias”.

“Para isso é preciso ter habilidade e destreza com as ferramentas”, resume.

Mas não são só os operacionais no terreno que têm de aprender. Uma das falhas comuns na estratégia nacional de combate aos fogos está na falta de cooperação. “Falta melhorar a organização existente. Cá, em Portugal, há muitas entidades que tem que ver com incêndios florestais, mas não trabalham em conjunto. Creio que este é um problema a solucionar”, aponta o especialista.

Foi para solucionar esta e outras lacunas no combate aos fogos que o perito internacional esteve no nosso país a convite da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais. “Veio trazer o modelo integrado de combate a incêndios”, diz Marcos Liberal, da AGIF.

Este modelo passa a fazer parte da estratégia para 2019. “Todos os agentes envolvidos reconhecem que o modelo traz vantagens para Portugal”, garante o engenheiro.

Desde agosto que 500 militares da GNR e 250 agentes florestais aprenderam as técnicas do modelo que o especialista chileno espera que faça a diferença. “Creio que o próximo ano Portugal vai estar melhor para combater os incêndios porque está mais profissionalizado”, rematou.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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