Produtores de cordeiro mirandês “amedrontados” devido à quebra de vendas

Produtores de cordeiro mirandês “amedrontados” devido à quebra de vendas

Os produtores de carne de cordeiro de raça churra mirandesa mostraram-se hoje “amedrontados” em relação ao futuro das suas explorações, divido uma quebra expressiva nas vendas nesta altura do ano provocadas pela pandemia da covid-19.

“Os produtores estavam com grandes expectativas para o período da Páscoa, porque há bastante produção disponível. Com o encerramento dos restaurantes, e não sabendo como funciona a cadeia de distribuição das grandes superfícies, estamos amedrontados”, disse à Lusa a secretária técnica da Associação Nacional de Criadores de ovinos de Raça Churra Mirandesa (ACORCM), Andrea Cortinhas.

Segundo a técnica, o futuro é muito incerto para ramo da agropecuária no Planalto Mirandês, tendo em conta de que se trata de um produto com Denominação de Origem Protegida (DOP).

“Um dos nossos receios é que o preço das carcaças baixe, num altura em que o produto é mais valorizado. Porém, os pastores do Planalto Mirandês mantêm a sua atividade normal porque os animais têm de comer e ser tratados “, frisou a secretária técnica desta raça autóctone.

Andrea Cortinhas disse que, por “experiência própria”, os negociantes deste tipo de produtos “se aproveitam um pouco das fragilidades que o mercado atravessa neste momento”.

Neste tipo de vendas, muitos produtores fazem-nas junto das suas explorações e poucos passam pela cooperativa de produtores.

Segundo dados avançados por Andrea Cortinhas, em período homólogo a cooperativa ChurraCop exportou 300 quilos de carne de cordeiro e o mercado nacional absorveu 400 quilos desta carne certificada.

“Estamos a cerca de 20 dias da Páscoa e as perspetivas não são animadoras. Até ao momento não há pedidos de carne de cordeiro mirandês. Isto é assustador”, lamentou a responsável.

Agora a estratégia passa por convencer o mercado a ter em conta as qualidades organolépticas destes produtos para alavancar as vendas e não criar impactos negativos, num setor já fragilizado.

“Sabemos que os produtos alimentarem continuam a ser procurados e está uma altura ideal para valorizar os produtos nacionais e certificados e não dar preferência aos alimentos importados “, enfatizou Andrea Cortinhas.

O novo coronavírus já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 23 mortes e 2.060 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral de Saúde.

Dos infetados, 201 estão internados, 47 dos quais em unidades de cuidados intensivos.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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