Presidente da Federação Agrícola dos Açores reivindica reforço do POSEI

Presidente da Federação Agrícola dos Açores reivindica reforço do POSEI

O presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, considerou, esta quarta-feira, que o arquipélago deve lutar por um reforço do POSEI, que evite capitações nos apoios em situações do aumento da produção.

“Dez a 20 milhões [de euros] para o POSEI [Programa de Opções Específicas para o Afastamento e a Insularidade nas Regiões Ultraperiféricas] retificava aquilo que hoje é o nosso grande drama, que tem a ver com os rateios nas nossas ajudas. Temos uma expectativa legítima e normal que as ajudas no primeiro pilar do POSEI não sejam rateadas e somos confrontados com rateios, alguns deles exorbitantes”, afirmou.

Jorge Rita falava, na Praia da Vitória, na sessão de abertura do XII Congresso da Agricultura dos Açores.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores criticou a possibilidade de cortes nos fundos comunitários destinados ao setor e uma eventual redução da comparticipação da Comissão Europeia a projetos do Governo Regional, alegando que se pode traduzir numa “situação dramática” para o executivo açoriano.

Nesse sentido, defendeu que a associação agrícola e o Governo Regional dos Açores devem trabalhar em conjunto para reivindicar um aumento do POSEI e uma “discriminação positiva” para os produtores da região.

“Não somos os únicos a receber apoios da comunidade [União Europeia], nem somos os que recebemos mais. Há países em que os agricultores recebem muito mais do que nós e eles são competitivos e estão a competir connosco com os produtos no mercado. Não é vergonha, nem é um pedido de esmola à comunidade nós pedirmos mais ajudas, com discriminações positivas para a região”, salientou.

Antecipando o debate sobre alterações climáticas previsto no encontro, Jorge Rita disse que a agricultura era o “alvo mais fácil” e que servia de “bode expiatório” da sociedade.

“Ninguém acusa os navios ou os aviões, porque os que acusam andam a passear frequentemente nos cruzeiros, nos brutos aviões ou nos carros que utilizam”, ironizou.

O representante dos agricultores açorianos não esqueceu também as declarações do reitor da Universidade de Coimbra sobre o consumo de carne de vaca.

“Ele, se calhar, não abdica do seu bruto carro para ir todos os dias para a universidade, possivelmente não vai de bicicleta, e quando se faz aqueles festivais de bebedeiras incríveis ninguém lhes vai lá retirar os plásticos das cervejas da mão, porque isso também faz parte de uma cultura”, acusou.

Jorge Rita rejeitou ainda um cenário de redução de produção de carne nos Açores, destacando a importância que o setor tem na alimentação humana.

“As pessoas vão ter de aumentar as explorações porque a população mundial está a crescer a uma velocidade incrível. Como é que nós vamos alimentar toda esta população nos próximos anos?”, questionou.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores sublinhou, por outro lado, a necessidade de uma maior valorização dos produtos açorianos, na transformação, na promoção e na internacionalização, alegando que os agricultores têm de acreditar que são bons, mas para isso precisam também de melhores rendimentos.

“Precisamos de ser mais arrojados, mais proativos e acreditar naquilo que temos. Temos ou não temos produtos bons na Região Autónoma dos Açores? Somos ou não somos bons naquilo que fazemos?”, perguntou.

A agricultura, acrescentou, é um setor vital para a economia dos Açores, não só pelo que produz, mas pelo impacto que tem noutros setores.

“Só se faz turismo nos Açores com sucesso com uma agricultura forte e sustentável”, frisou, dando como exemplo a preservação das paisagens e o fornecimento de produtos para a gastronomia açoriana.

Até sexta-feira, o XII Congresso da Agricultura dos Açores debate, entre outros temas, as alterações climáticas, o leite e laticínios, as estratégias de promoção de produtos, o futuro da agricultura e a Política Agrícola Comum no próximo quadro comunitário.

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O artigo foi publicado originalmente em Açoriano Oriental.

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