Portugal e a produção de leite – até quando ficaremos na cauda da Europa?

Portugal e a produção de leite – até quando ficaremos na cauda da Europa?

O que irá acontecer com a produção de leite no futuro? Numa Europa de 28 é aceitável que Portugal seja o país da União Europeia com o MENOR preço pago ao produtor, sendo inclusive ultrapassado pelos países de Leste? É justo vender 1 litro de leite a um preço inferior ao seu custo de produção?
A consequência é que em 2017 Portugal perdeu um produtor de leite a cada dia útil! Aproxima-se o começo de um novo ano e os produtores sabem que a maior empresa transformadora de leite portuguesa prepara-se para descer um cêntimo a partir de 2018.

São estas e muitas outras questões que pairam na cabeça dos produtores de leite … começa a ser difícil encontrar ânimo e justificações plausíveis para o preço que auferimos por cada litro de leite produzido.
Os dados do Milk Market Observatory são claros, OS PRODUTORES PORTUGUESES SÃO OS MAIS MAL PAGOS DA EUROPA. Em Março de 2017, a média nacional era de 0.287€/litro de leite, comparativamente com 0.331€ da média europeia e Portugal era o terceiro país com preço mais baixo. Em Junho mantém-se como o terceiro país mais mal pago, cuja média nacional foi de 0.287€/L, contrastando com 0.332€ da média europeia. Em Outubro o preço médio na Europa foi de 0.374€ e em Portugal foi de 0.308€ e fomos O PAÍS COM O LEITE MAIS MAL PAGO DA EUROPA!

(Fonte: https://ec.europa.eu/agriculture/sites/agriculture/files/market-observatory/milk/pdf/eu-raw-milk-prices_en.pdf)

Nos últimos anos, multiplicaram-se as notícias que enaltecem a agricultura portuguesa e a instalação de jovens no setor. No entanto, se trabalhar na agropecuária já é pouco convidativo pelos horários exigentes e pela necessidade de investimentos avultados, a falta de verbas no PDR2020 está a bloquear a entrada e a permanência de jovens na agricultura e na produção de leite, pois existem muitos projetos aprovados sem dotação orçamental. Isto é grave porque a produção de leite está envelhecida e pode desaparecer em poucos anos, mantendo-se o atual ritmo de perda de produtores.

A nossa conclusão é clara: O SECTOR LEITEIRO PASSOU A TER UM CONTRIBUTO POLÍTICO RESIDUAL PARA A ECONOMIA NACIONAL. Só assim se explica a inoperância do Governo. É imperativo que o Governo ponha fim a esta situação e juntamente com a indústria e a distribuição encontrem soluções para PAGAR UM PREÇO JUSTO AO PRODUTOR! Estudos nacionais evidenciam que o custo de produção é de 0.35€/litro, ficando muito aquém do preço pago ao produtor.

Somos europeus nas exigências de qualidade ou quando se usa o embargo russo para justificar a crise que afetou a produção de leite na Europa, mas quando o preço sobe no resto da Europa e ficamos com o leite mais mal pago, o discurso muda.

Em 2016, num ano difícil para os produtores de leite, que com audácia e coragem reajustaram as suas produções às exigências contratuais, VERIFICÁMOS QUE FORAM IMPORTADOS EM LEITE E DERIVADOS POR EMPRESAS E PELA DISTRIBUIÇÃO O EQUIVALENTE A 700 MILHÕES DE LITROS DE LEITE.

No ano 2017, quando os mercados internacionais recuperaram, Portugal apresenta o preço mais baixo. São cada vez mais os produtores a desistirem desta atividade. Portugal perdeu um produtor de leite a cada dia útil!

Aproxima-se o começo de um novo ano e os produtores sabem que a maior empresa transformadora de leite portuguesa e que influencia o preço pago por outras indústrias ao produtor prepara-se para descer um cêntimo a partir de 2018.

As cooperativas que foram inicialmente criadas para defender os produtores parecem perder peso e carecem urgentemente de uma “renovação geracional”. É triste o modelo cooperativo responsável por mais de 70% daprodução nacional ser premiado pelo pior preço pago à produção da Europa a 28.

É fundamental existirem lideres que conheçam e respeitem o passado, mas dotados de visão estratégica que permita identificar e criar oportunidades, anteceder-se às adversidades e planear atempadamente.

Verificamos que o próprio Governo está de braços cruzados e não desenvolve ações que contribuam para a sustentabilidade desta atividade, o que nos leva a depreender que prefere cobrar impostos dos elevados rendimentos das empresas lácteas do que lutar pelo pagamento de um preço justo ao produtor.

Verificamos que o leite é desvalorizado nos supermercados, com preços impraticáveis, 0.46€, 0.49€ são preços comuns nas prateleiras dos supermercados nas muito badaladas promoções.

É preciso fiscalizar!

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