Ponto.

Ponto.

À beira do Fluvial, debaixo das árvores densas, a gente anda no passeio e vai-se desviando das pratas. Estamos a escassos metros do rio, a chegar ao Jardim do Cálem, no puzzle social da zona oeste do Porto. Neste campo junto ao Parque da Pasteleira, veem-se pessoas sentadas nos cantos das ervas, agachadas sobre si.

Este lado da cidade, onde havia pinhais e estaleiros, foi crescendo entre os séculos XIX e XX. Os ricos iam aos banhos na Foz e por lá construíram as suas casas. No entretanto, a autarquia ergueu por ali torres, blocos. E juntou neles quem casa não tinha.

O contraste é evidente. De um lado da estrada podemos ter os muros altos dos condomínios, do outro, as empenas também altas dos blocos de bairros sociais.

Esta manhã, logo cedo, a PSP entrou em Pinheiro Torres e na Pasteleira Nova. Dois dos bairros desta cidade para onde se deslocou o tráfico de droga depois do desmantelamento das torres do Aleixo. Em junho, uma moradora dizia na reunião do executivo que entre os moradores havia um clima de medo.

Hoje foram nove os detidos. A polícia apreendeu ainda algumas armas, uma “quantidade substancial” de drogas e 10 mil euros. A câmara do Porto felicitou a ação. É a primeira grande operação para atuar sobre um tema que tem vindo a preocupar os portuenses.

Ponto final? Há que esperar para ver, mas a CDU, por exemplo, veio já dizer que é preciso ir mais além: cultura e integração, a par do policiamento de proximidade.

Nestes dois bairros vivem mais de duas mil pessoas. Vivem novos, vivem velhos. Vivem pessoas. E é delas que se faz a cidade. Pelo que não convém tomar a parte pelo todo.

Entretanto, em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, as duas bebés com uma doença rara começaram esta terça-feira o tratamento cujo preço chega aos dois milhões de euros. Este medicamento não é uma cura, mas pode melhorar a qualidade de vida das duas crianças — num investimento suportado pelo Serviço Nacional de Saúde. É um ponto de viragem numa história que comoveu os portugueses.

Do outro lado do Atlântico, há também um ponto: ponto de partida. Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, admite agora aceitar os donativos do G7 — mas apenas se o presidente francês, Emmanuel Macron, retirar aquilo que considerou como insultos.

A Amazónia continua em crise. O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada. Mais: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro anunciou que a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.

Na floresta tropical, ou na floresta urbana, eu sou o Pedro Soares Botelho e hoje o dia foi assim. Ponto.

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O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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