Plataforma Transgénicos Fora invoca a presença de glifosato na urina de 60 voluntários para pedir proibição de herbicida

Plataforma Transgénicos Fora invoca a presença de glifosato na urina de 60 voluntários para pedir proibição de herbicida

[Fonte: Observador]

A Plataforma Transgénicos Fora apelou esta segunda-feira ao Governo para que proíba a venda de herbicidas à base de glifosato, que apoie os agricultores e que se torne obrigatória uma análise à água para consumo humano.

A análise de glifosato na água de consumo consta já nas recomendações da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária para o triénio 2019-2021, ao abrigo do Decreto Lei n.º 306/2007, alterado pelo Decreto-Lei n.º 152/2017. “Pese embora o herbicida glifosato não preencha a totalidade de critérios estabelecidos para a seleção de pesticidas a pesquisar em águas destinadas a consumo humano, nomeadamente no que diz respeito ao seu destino e comportamento no solo e ao seu potencial de mobilidade, recomenda-se a sua pesquisa, pelo menos uma vez por ano, em águas destinadas a consumo humano, provenientes de captações de água superficial”, lê-se no documento.

O apelo da Plataforma Transgénicos Fora (PTF) surge na sequência dos resultados de um estudo lançado em 2018 para testar a presença de glifosato em voluntários portugueses. A plataforma alega uma exposição recorrente ao herbicida e aponta para uma contaminação generalizada por glifosato em Portugal. A iniciativa, no entanto, não foi validada cientificamente — não foi feita por uma equipa de investigação independente, nem foi publicada numa revista científica, ou seja, não foi sujeita ao escrutínio de outros cientistas.

A PTF apelou à inscrição de voluntários e conseguiu recolher urina de 62 pessoas em julho e 44 em outubro, posteriormente enviada para um laboratório de análises fora do país. O número de pessoas é demasiado pequeno para que se possa tirar qualquer conclusão com os dados apresentados, admite a própria plataforma: “O trabalho realizado pela Plataforma Transgénicos Fora não permite retirar conclusões finais”.

A metodologia usada na seleção das pessoas, na recolha da urina e o tipo de análise realizada não está disponível no site da associação, não sendo possível confirmar se a amostra, ainda que pequena, é representativa da população portuguesa ou se foram usados os melhores procedimentos para a análise em causa. A PTF dá indicações de um possível enviesamento dos resultados: “Cerca de 80% dos inscritos identificaram-se como consumidores de alimentos biológicos com alguma regularidade”. Ora, a proporção de portugueses que consomem alimentos biológicos com regularidade não é tão alta como a da amostra.

Outro elemento relevante é que os voluntários tiveram de pagar o custo da primeira análise, no valor de 78,20 euros, o que atua, só por si, como um fator de exclusão de outros potenciais voluntários.

Os resultados são apresentados sobre a forma de concentração na urina — e até são comparados com os resultados de uma iniciativa semelhante em 2016 —, mas nada dizem sobre o verdadeiro significado desses valores, ou seja, sobre os potenciais impactos que tem para a saúde humana ou sobre o próprio processamento do tóxico no organismo. A comparação direta da concentração da urina com os limites admitidos nas águas de consumo humano também pode suscitar dúvidas, já que a urina terá, naturalmente, concentrações elevadas de vários compostos que não são admissíveis na água potável e que não são necessariamente indicadores de prejuízos para o organismo.

Em comunicado, a Plataforma faz também um apelo ao Governo para que lance um estudo abrangente sobre a exposição dos portugueses ao glifosato, proíba a venda deste herbicida para usos não profissionais e uso no controlo de ervas daninhas em contexto urbano. Na nota, a entidade pede ainda ao Governo apoio aos agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato nos próximos anos.

A motivação da PTF justifica-se com o facto de o glifosato ter sido considerado como “provavelmente carcinogénico para humanos”, em 2015, pela Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS). As agências europeias e outras agências internacionais, no entanto, têm apresentado conclusões diferentes. A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) concluiu que não é provável que o glifosato possa causar cancro em humanos e a Agência Europeia dos Produtos Químicos (Echa, na sigla em inglês) concluiu que embora os “estudos epidemiológicos revelassem, em parte, resultados contraditórios”, quando considerados todos juntos “não forneciam evidência convincente que a exposição ao glifosato em humanos pudesse estar relacionado com qualquer tipo de cancro”.

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