Pandemia teve um impacto de 180 milhões de euros no setor das plantas e flores

Pandemia teve um impacto de 180 milhões de euros no setor das plantas e flores

O setor de plantas e flores em Portugal está “muito fragilizado” devido ao impacto da pandemia de covid-19, estimando-se em 180 milhões de euros os prejuízos contabilizados até junho deste ano, segundo a associação portuguesa de produtores.

“Os prejuízos resultantes desta pandemia de covid-19 devem rondar cerca de 50% do negócio total”, revela um inquérito realizado pela Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais (APPPFN) sobre a quebra de produção e de vendas, no período compreendido entre março e junho deste ano e que estima em 180 milhões de euros os prejuízos causados.

A situação vivida em Portugal é semelhante à dos restantes países europeus, sendo que de acordo com as estimativas da Union Fleurs, Ena, Areflh e Copa-Cogeca, que representam os vários segmentos do setor na União Europeia, o impacto da pandemia “no auge da crise, em março e abril deste ano”, representou prejuízos em 17 países da UE no montante de 4,12 mil milhões de euros.

As perdas estimadas abrangem quatro subsetores (flor de corte, plantas envasadas, bolbos e viveiros) e representam quase 10% do valor anual total de mercado da União Europeia, lembram as quatro organizações em comunicado.

Realçam ainda que estes prejuízos “nunca serão recuperadas” e “terão de ser absorvidas por milhares de empresas” do setor de flores e plantas vivas na União Europeia.

No caso de Portugal, a APPPFN adverte que o setor “continua muito estagnado” até porque, explica, tem de se considerar que “a maior época de comercialização de plantas e flores, corresponde exatamente ao momento da instalação da pandemia”.

“Sublinhamos também que neste período se está a verificar que os preços médios de venda das plantas e flores estão cerca de 20% mais baixos do que nas semanas homólogas de 2019, o que só por si já seria fator para colocar em risco a viabilidade de muitas empresas”, adverte num comunicado.

A primeira estimativa feita a nível europeu “demonstra claramente o impacto brutal” que as medidas impostas pela pandemia e pelos bloqueios implementadas em toda a União Europeia (UE) tiveram no setor durante o auge da primavera, assinalam as quatro organizações.

Nesse sentido, levaram esta mensagem à Direção Geral de Agricultura da Comissão Europeia durante uma reunião realizada na semana passada.

Juntamente com “a falta de uma resposta uniforme e coordenada até agora pelos governos nacionais em toda a UE, isso reforça ainda mais a necessidade de um apoio financeiro da União Europeia mais significativo e direto ao setor”, sublinham no comunicado.

Com base nas principais conclusões do relatório elaborado, os quatro representantes europeus do setor enfatizaram a “ausência, até agora, de apoios financeiros” a nível da UE, realçando que “não garantiu as melhores condições para a viabilidade das estruturas de produção e mercado em toda a União Europeia”, lê-se ainda.

Numa conferência de imprensa realizada em 16 de maio no Ministério da Agricultura, em Lisboa, para a apresentação de novos apoios para o setor agrícola, de forma a minimizar os impactos económicos e financeiros causados pela covid-19, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, afirmou que iria ser aberta uma linha de crédito bonificada, específica para o setor das flores, no valor de 30 milhões de euros.

A APPPFN diz que o setor “está muito fragilizado com a queda abrupta do consumo” e que aguarda que “as ajudas cheguem”, lembrando que o setor das flores e plantas ornamentais representa cerca de 7,6% da produção agrícola nacional e assegura mais de 5.000 postos de trabalho diretos.

A associação refere ainda que o setor tem “demonstrado dinamismo” na conquista de mercados, quer nacional, quer internacionalmente, dando como exemplo disso o valor das exportações no último ano que aumentou 22% para 96 milhões em 2019.

Segundo dados da Comissão Europeia para 2020, citados pela APPPFN, Portugal é o 6.º produtor da UE (ex-aequo com a Dinamarca e Áustria), assegurando 2% do valor de mercado gerado.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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