Olivicultores do Douro Superior e Vale do Sabor preocupados com quebras nas vendas

Olivicultores do Douro Superior e Vale do Sabor preocupados com quebras nas vendas

Os produtores de azeite do Douro Superior e Vale do Sabor mostraram-se hoje preocupados com as quebras “significativas” nas vendas deste produto alimentar, no mercado nacional e internacional, o que está a provocar “um momento crítico”.

“Estamos a viver no setor olivícola um momento muito crítico, provocado pelo novo coronavírus, e os consequentes impactos negativos, que estão surgir no setor do azeite. Se o azeite já estava a ser comercializado a preços baixos, juntamos a isto o fecho de lojas e restaurantes e quebras nos mercados internacionais”, disse à Lusa o produtor e dirigente associativo, Francisco Pavão.

Concelhos como os de Mogadouro, Vimioso, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo são exemplos de territórios “que poderão sofrer impactos negativos na sua economia perante a situação que se atravessa”.

“Já houve encomendas de azeite que foram canceladas e estamos a prever que os próximos meses serão difíceis, do ponto de vista comercial, para o setor olivícola nestes territórios”, observou.

Segundo Francisco Pavão, os mercados que registam mais quebras nas importações azeite são o Brasil, Estados Unidos e países do Norte da Europa.

“Como há quebra no fluxo de turistas a esta região, a venda de azeite também vai descer. Há mesmo lojas e restaurantes que encerram por falta de clientes”, vincou o produtor.

Nestes concelhos, a par da produção de vinho e amêndoa o azeite têm um papel de relevo nas economias locais, onde há um número significativos de pequenos produtores e lagares industriais.

“Com o Estado de Emergência, decretado, a agricultura tem de estar ativa todos os dias, para haver resultados na próxima colheita e seguintes. Esta na altura de fazer a poda e tratamentos fitossanitários e temos de atuar. Os agricultores terão de continuar a trabalhar”, indicou o também técnico agrícola.

Francisco Pavão disse que ainda não é possível quantificar prejuízos, já que se está numa fase muito inicial.

“O importante é que o Estado de Emergência não afete os trabalhos no campo, para que em novembro haja resultados positivos, aquando da colheita da azeitona”, vincou.

Os olivicultores pedem às entidades responsáveis para que não haja uma quebra nos fatores de produção e que se mantenha a sustentabilidade da produção para 2020.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 210 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.750 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 84.000 recuperaram da doença.

Em Portugal, há 785 casos confirmados de infeção e três mortos.

A Assembleia da República aprovou na quarta-feira o decreto de declaração do estado de emergência que lhe foi submetido pelo Presidente da República com o objetivo de combater a pandemia de Covid-19.

O estado de emergência proposto pelo Presidente prolonga-se até às 23:59 de 02 de abril, segundo o decreto publicado quarta-feira em Diário da República, que prevê a possibilidade de confinamento obrigatório compulsivo dos cidadãos em casa e restrições à circulação na via pública, a não ser que tenham justificação.

As medidas que concretizam o estado de emergência serão aprovadas hoje em Conselho de Ministros.

O artigo foi publicado originalmente em A Voz de Trás-os-Montes.

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