O mito de um certo Alentejo – Luís Mesquita Dias

O mito de um certo Alentejo – Luís Mesquita Dias

Haverá casos pontuais de incumprimento de regras e usurpação de direitos, como em qualquer outro ponto do país ou da Europa. Mas no Perímetro de Rega do Mira, a regra vigente indica o contrário.

O Alentejo tem um passado de miséria, desigualdades sociais, abusos de direitos e secura extrema que, durante muitas décadas, lhe coartou o desenvolvimento e lhe fez perder a autoestima e a população. Contudo, empreendimentos como o relativamente recente Alqueva ou o aproveitamento integral da barragem de Santa Clara, com os seus 50 anos há pouco celebrados, têm modificado radicalmente a realidade alentejana.

O exemplo do Perímetro de Rega do Mira, com uma extensão de 12 mil hectares, dos quais apenas cerca de sete mil são irrigados, contribuiu, em 2020, com 15% do total das exportações de frutas, legumes e flores do nosso país. Que bom seria termos várias bolsas de sete mil hectares no nosso território com uma criação de riqueza desta ordem. São, porém, várias as inverdades que tentam impor-nos e que é preciso nuns casos desmentir, noutros relativizar e noutros, ainda, admitir que há algumas coisas por corrigir.

O mito dos trabalhadores

Entre 2015 e 2020, estima-se que a população a residir e a trabalhar nos concelhos de Odemira e Aljezur terá aumentado em cerca de 15%. Esse aumento resulta obviamente, e em grande medida, da vinda de trabalhadores migrantes, o que permitiu, na insuficiência de mão-de-obra portuguesa, o desenvolvimento da atividade agrícola no território.

A imagem de miséria, abusos, escravidão e mendicidade que se pretende colar a esta população não corresponde à verdade. Haverá, seguramente, casos pontuais de incumprimento de regras e usurpação de direitos, como em qualquer outro ponto do país e como em qualquer outro país da Europa. No entanto, no Perímetro de Rega do Mira, a regra vigente indica o contrário, estando as empresas sempre disponíveis para serem visitadas pelos meios de comunicação social e pela autoridade reguladora das condições de trabalho.

Já sobre a oferta de alojamento, se hoje não é maior,

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