O aleitamento artificial em ovinos

O aleitamento artificial em ovinos

A produção de leite e de borregos representam os rendimentos das explorações de ovinos leiteiros e depende grandemente da eficácia da reprodução dos efetivos, com a particularidade que a produção de leite e de borregos não são compatíveis.

O aleitamento artificial constitui um artifício que logra a primeira finalidade e permite a manipulação da reprodução para obter mais partos e mais borregos, tanto em rebanhos leiteiros como de carne.

A técnica do aleitamento artificial apresenta como vantagens principais:

a) Aproveitar a totalidade do leite produzido pelas ovelhas, havendo um tempo suplementar de ordenha no início do período de lactação, fase de maior produção leiteira;

b) Permitir a aceleração do ritmo de reprodução como consequência da suspensão da amamentação e das implicações deste facto no reaparecimento da atividade ovárica pós-parto;

c) Criar em melhores condições os borregos de partos múltiplos, incluindo borregos órfãos. Atualmente é frequente a utilização de raças prolíferas em cruzamentos, de modo que o recurso ao aleitamento artificial evita o risco de a produção leiteira das mães não ser suficiente para uma amamentação normal das crias e;

d) Criar borregos cujas mães estejam impossibilitadas de amamentar, tornando-os mais homogéneos, mercê do controlo da alimentação aliado a uma melhor garantia sanitária.

Para o êxito da técnica do aleitamento artificial, é fundamental que o borrego recém-nascido ingira o colostro nas primeiras 6 a 10 horas pós-parto, por forma a assegurar a transferência de imunoglobulinas. A opção ideal é uma separação entre a mãe e o borrego tão pronta quanto possível, não devendo exceder as 24 horas, pois quanto mais tarde ocorrer mais difícil se torna a habituação ao sistema artificial.

As crias têm de aprender a chupar a tetina, operação para a qual o comportamento dos animais é variável, sendo que o tempo médio de aprendizagem é de 48 horas. Para adquirir o hábito do uso da tetina, o tratador deverá dispensar com o borrego entre 4 a 8 horas, durante os primeiros dois dias, até estar seguro que o borrego mama. A disponibilidade permanente de leite numa instalação automatizada é um fator muito favorável na redução do tempo de adaptação às tetinas.

aleitamento artificial ovinos 3 queijo curado

A facilidade de adaptação ao aleitamento artificial depende de diversos fatores, nomeadamente da raça, tamanho do borrego, tempo de permanência com a mãe após o parto e equipamento usado.

Esta técnica permite ganhos de peso vivo normais, semelhantes aos obtidos no aleitamento natural. De igual modo, os rendimentos de carcaça de borregos criados sob aleitamento artificial não se diferenciam dos obtidos com borregos criados naturalmente com as mães e alimentados segundo padrões idênticos aos primeiros. No entanto, as carcaças são de qualidade inferior.

É necessário distinguir sistemas de produção na aplicação desta técnica. Se se trata de obter borregos de engorda, então o aleitamento artificial é uma fase, a primeira, de um processo que, em determinado momento, exige um desmame que há que preparar. Normalmente, o desmame poderá ser efetuado quando os borregos tiverem o triplo do seu peso ao nascimento ou, então, a partir das seis semanas de idade, desde que os borregos tenham duplicado o seu peso à nascença e aprendido a consumir, diariamente, 200 a 250 gramas de alimentos secos.

O leite artificial reconstituído sob a forma líquida pode ser oferecido em refeições ou permanentemente. Em geral, é iniciado com quatro refeições diárias, reduzindo-se para uma quando se aproxima o desmame. A concentração recomendada, em regra, é a que corresponde a 200 gramas de leite em pó por litro de leite reconstituído. O dispositivo para a administração do leite artificial poderá ser um recipiente equipado com tetinas em número variável ou, então, um sistema automático.

A experimentação da técnica de aleitamento artificial, em 1992, no Centro de Ovinicultura da Madeira, com um núcleo de ovinos leiteiros da Raça Bergschaf, teve como objetivo principal averiguar a otimização da produção leiteira e consequente repercussão no fabrico de queijo, a par da sua viabilidade económica. Os resultados obtidos foram satisfatórios, permitindo-nos afirmar que esta técnica é viável e vantajosa, desde que devidamente utilizada.

Pedro Fontes Sampaio
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

O artigo foi publicado originalmente em DICAs.

Comente este artigo
Anterior Alterações climáticas obrigam à aplicação de novas técnicas na produção da anona da Madeira
Próximo Webinar: Rede Rural Nacional de Espanha promove intercâmbio entre Grupos Operacionais e Projetos Inovadores - 26 de outubro

Artigos relacionados

Nacional

Qualidade dos vinhos portugueses colocada à prova em Zurique e Genebra

A ViniPortugal promove nos dias 21 e 22 de Outubro duas provas de vinhos portugueses, em Zurique e em Genebra, com a presença de cerca de 80 produtores nacionais. […]

Últimas

Dominado fogo na Covilhã que obrigou a retirar jovens de acampamento

O incêndio que deflagrou esta segunda-feira à tarde no concelho da Covilhã, e que obrigou a retirar cerca de 60 jovens de um acampamento, […]

Últimas

Alegoria – Portugal e as quatro agriculturas – Francisco Cabral Cordovil

Um dia destes, Portugal convidou as quatro agriculturas para almoçar, porque, ao deitar contas à vida, compreendeu que precisa de todas elas e que era urgente conversarem. Depois das […]