Morreu Joaquim Marques Ferreira que liderou as áreas protegidas e o Alqueva

Faleceu nesta segunda-feira em sua casa Joaquim Marques Ferreira, com 65 anos de idade. Era licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa e actualmente presidente do conselho de administração das empresas Águas Públicas do Alentejo e Águas de Santo André.

Iniciou a sua actividade profissional em 1972, na Câmara Municipal de Lisboa e trabalhou depois, como técnico e dirigente, durante mais de quatro décadas em vários organismos públicos ligados à conservação da natureza e ao ambiente.

Foi presidente do Instituto de Conservação da Natureza e presidente da Comissão Nacional da Rede Ecológica Nacional. 

Coordenou os Planos de Bacias Hidrográficas, o Plano Nacional da Água e o grupo de trabalho do Projecto da Lei-Quadro da Água entre 1999 e 2001. Desde 2001 que era membro do Conselho Nacional da Água.  

Passou pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, primeiro como membro do conselho de administração entre 1992 e 1995 e posteriormente como presidente do conselho de administração entre 2002 e 2004.

Integrou a empresa Águas de Portugal como gestor de Unidades de Negócio de Água e foi presidente do conselho de administração da empresa Águas do Algarve, da Águas do Norte Alentejano, Águas do Centro Alentejo e Simarsul entre 2002 e 2005.

A empresa Águas Públicas do Alentejo de que era administrador, divulgou nesta terça-feira um comunicado onde expressa a sua tristeza com a notícia do seu falecimento. Marques Ferreira “deu ao país e em especial à região Alentejo, um grande contributo no sector do ambiente, conservação da natureza e gestão dos recursos hídricos, deixando uma marca muito importante no sector da água”. No desempenho das suas funções “foi um importante companheiro de trabalho, arquitecto de importantes projectos e iniciativas” e de quem “todos sentiremos a sua falta”.

Também o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) recorda que Marques Ferreira “foi responsável pela criação de um número muito considerável das áreas protegidas” de âmbito nacional actualmente existentes: parques naturais do Alvão, da Serra de São Mamede, do Vale do Guadiana, a Área de Paisagem Protegida do Litoral Norte, a Reserva Natural do Paul de Arzila e a reclassificações dos Parques naturais de Sintra-Cascais e da Ria Formosa. Sob a sua presidência no ICN, realizaram-se o 1º Congresso Nacional de Áreas Protegidas e o 1º Congresso Nacional de Conservação da Natureza e “implementaram-se as primeiras políticas europeias na área da conservação da natureza, como a Directiva Habitats e, a nível mundial, a Convenção sobre a Diversidade Biológica, ambas aprovadas em 1992”. Marques Ferreira foi “um homem carismático, que dedicou toda a sua vida à causa pública “não deixava ninguém indiferente ao seu desempenho e imprimiu uma forte marca pessoal por onde passava, nas decisões que tomava e, em particular, no que legou ao país em termos da construção e consolidação da política de conservação da natureza em Portugal e da actuação da administração no território”, descreve o ICNF.

O artigo foi publicado originalmente em Público.

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