Moçambique melhor a produzir mandioca e batata doce do que cereais – estatísticas

Moçambique melhor a produzir mandioca e batata doce do que cereais – estatísticas

A produção ‘per capita’ de cereais em Moçambique tem se mantido abaixo do necessário para garantir a segurança alimentar, em contraste com a produção de mandioca e batata doce, que ronda o triplo, indicaram as últimas estatísticas.

Os dados fazem parte da nova publicação, Indicadores Básicos de Agricultura e Alimentação 2015-2019, lançada na segunda-feira pelo Instituto de Estatística (INE) moçambicano e consultada hoje pela Lusa.

“A produção ‘per capita’ de cereais continuou baixa para garantir a segurança alimentar, ao registar 71 quilos por habitante em 2015 e 94,3 em 2019. Para a mandioca e batata doce, a situação continuou bem e melhor com a produção ‘per capita’ de 267 quilos em 2015 e 336 quilos em 2019”, refere o boletim.

Ao nível das culturas de rendimento, os dados mostram estabilidade no período de referência, “facto observado nas mudas de cajueiros produzidas, em torno de 4,5 milhões em 2019”.

Os produtos pecuários apresentaram, entre 2015 e 2019, valores ‘per capita’ baixos, escreve o INE: “a carne de frango registou uma produção ‘per capita’ de 3,8 quilos em 2019, partindo de 2,5 quilos em 2015”.

Na produção de carne bovina, destacou-se a província de Maputo “com quase metade da produção do país: 7.266 toneladas em 2019. Manica e Sofala destacaram-se na produção de leite de vaca ao deter 41,3% e 25,1% do total em 2019, respetivamente”.

A produção de pescado ‘per capita’ “caiu para 11,6 em 2019, depois de 13,7 quilos em 2018 e 12,4 kg em 2017”, sendo a pesca marítima “correspondente a 59,5% de toda a produção do setor”, de acordo com os dados estatísticos.

O instituto que trata das estatísticas moçambicanas concluiu ainda que “o crédito concedido ao setor agrário se manteve-se insignificante se comparado com o resto da economia ao corresponder a um peso de 3,65% em 2015 e 3,71% em 2019”.

O valor contrasta com o peso do setor agrário no Produto Interno Bruto (PIB), que se estabilizou em torno de 23% entre 2015 e 2019, sendo que “o Orçamento de Estado alocado ao setor continuou abaixo de 10% em todo quinquénio, tendo-se fixado em 4,9% em 2019”.

No que respeita à insegurança alimentar aguda, fixou-se em 29,9% de famílias em 2019 (para uma população total de 29,3 milhões de habitante), enquanto, no mesmo ano, a desnutrição aguda afetava 12,3% de crianças, indicaram dados do INE.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU segue também estes indicadores e estimou que a desnutrição aguda afete quase metade das crianças com menos de 5 anos de idade.

Também estimou que mais de 1,6 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar aguda grave, de acordo com a análise mais recente do IPC.

O INE realçou que a publicação “não abrange todos indicadores cobertos como desejado, porque alguns requerem harmonização metodológica” e outros “ainda não são produzidos com regularidade pelos setores”.

A compilação baseou-se na recolha e tratamento preliminar das bases de dados disponibilizadas pelas fontes administrativas dos setores, com uma “limpeza e validação de dados”.

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