“Importância ambiental com retorno económico”

“Importância ambiental com retorno económico”

A floresta ocupa mais de 50% do concelho de Odemira, o maior do país. Ricardo Cardoso, vice-presidente da autarquia, destaca valor deste recurso.

Qual a importância da floresta no concelho de Odemira?

O concelho de Odemira é o maior do país, com 1 721 km2 de área total, sendo que 52% deste território é floresta. Esta vasta área florestal é constituída maioritariamente por sobreiro, que representa 52% da nossa floresta, e por eucalipto, que ocupa 41%. Só por si, a grande extensão deixa bem expressa a importância da floresta no concelho de Odemira, quer do ponto de vista da paisagem, quer como fator gerador de retorno económico, quer ainda na sua vertente mais ecológica e ambiental, promovendo a proteção do solo contra a erosão, o controlo do ciclo e da qualidade da água, e a forte concentração de biodiversidade, entre outros.

Que desafios estão identificados pelo município no âmbito da sua ação florestal?

As alterações climáticas, o abandono dos terrenos, a falta da gestão de combustíveis e, por vezes, o uso negligente do fogo, são os principais desafios enfrentados pelo município de Odemira. Numa época de transformação climática como a que estamos a viver, é a própria resiliência da floresta que está a ser posta à prova, enfrentando secas mais prolongadas e a irregularidade das chuvas, muito em particular no sul de Portugal. Também o abandono dos terrenos e a consequente falta de gestão dos combustíveis representam, neste momento, um enorme desafio. Confrontados com um incêndio florestal, torna-se complexo o seu combate, levando à perda de floresta, com graves repercussões nos ecossistemas e no património natural e económico.

Que medidas identifica como prioritárias para uma melhor floresta em Portugal?

Por forma a promover uma gestão adequada das nossas florestas, considero fundamental um conjunto de medidas, como adequar a gestão dos espaços florestais às necessidades de conservação dos habitats, desenvolver as atividades silvo-pastoril e apícola, recuperar os espaços florestais apostando na arborização com espécies autóctones, planear e compartimentar manchas florestais, criando faixas de descontinuidade, controlar e mitigar os processos associados à desertificação, e diminuir o número de incêndios florestais e a área queimada.

O artigo foi publicado originalmente em Produtores Florestais.

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