Moçambique destaca equipas de vigilância para zonas de risco face a praga de gafanhotos

Moçambique destaca equipas de vigilância para zonas de risco face a praga de gafanhotos

Vários técnicos de sanidade vegetal estão a controlar as planícies de Búzi (Sofala), centro de Moçambique, e o lago Chilua (Niassa), no norte do país, na fronteira com o Maláui, zonas que englobam as sete áreas em Moçambique mapeadas com focos de eclosão da praga, explicou Amade Cusseringua, que integra a equipa de vigilância da praga destacada pelo Ministério da Agricultura.

“A praga do gafanhoto pode surgir, mas a eclosão não será em qualquer parte, por isso estamos atentos àquelas áreas que estão previamente identificadas”, disse à Lusa.

Também responsável pela repartição de sanidade vegetal na direção provincial de Agricultura e Pesca de Manica, Amade Cusseringua disse que todas as províncias moçambicanas estão sob ameaça e devem estar em alerta, tendo em conta que se trata de gafanhotos migratórios.

“Por a praga ser transfronteiriça e poder atacar regiões fora dos focos de eclosão, as autoridades estão a sensibilizar os camponeses das zonas do interior para alertarem os serviços de atividades económicas em caso de surgimento de nuvens do gafanhoto vermelho”, afirmou.

Já a nível regional, disse aquela responsável, os países estão igualmente em sintonia, na monitoria do rumo da praga dos “gafanhotos vermelho e migrador africano”, que estão atualmente na África Oriental e a dispersar-se para região austral.

“Caso Zâmbia, Maláui ou Zimbabué registe uma nuvem do gafanhoto, há uma comunicação muito eficiente ao nível da região” para se acionar a entidade regional que controla e coordena o combate a praga de gafanhoto, com meios mais sofisticados, disse Amade Cusseringua.

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural moçambicano lançou, em julho, um “alerta máximo” para uma possível praga de gafanhotos na região fronteiriça entre Moçambique e Maláui.

Em nota, a instituição alertou as direções provinciais para ficarem em “alerta máximo” no país para que se “tomem medidas adequadas em tempo útil”.

Em entrevista à Lusa na última semana, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura em Moçambique (FAO, na sigla inglesa) defendeu uma resposta conjunta entre os países da África Austral para fazer face à praga de gafanhotos na região, alertando para a sua rápida propagação.

“Os insetos deslocam-se muito rapidamente e podem atravessar as fronteiras sem que ninguém perceba em menos de 24 horas. Portanto, esta parte da coordenação regional é uma componente muito importante para travar a propagação”, disse Hernâni Coelho da Silva.

Com uma capacidade reprodutiva muito alta, o peso médio do gafanhoto vermelho é de dois gramas e, por dia, o inseto consome a mesma quantidade de “tudo que é verde”, alertou a FAO.

Em julho, a União Europeia mobilizou mais 15 milhões de euros para apoiar as Nações Unidas e países parceiros no combate contra “uma das piores pragas de gafanhotos de deserto observadas na África Oriental em décadas”.

O valor segue-se a um primeiro pacote de ajuda no montante de 42 milhões de euros disponibilizado no início de 2020.

AYAC (EYAC) // JH

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