Ministério Público abre inquérito à compra de golas inflamáveis

Ministério Público abre inquérito à compra de golas inflamáveis

O Ministério Público abriu um inquérito à aquisição dos equipamentos destinados ao programa Aldeia Segura, entre os quais se incluem os polémicos kits de emergência e golas antifumo inflamáveis, disse a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao PÚBLICO.

Segundo fonte oficial da PGR, o inquérito corre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

As 70 mil golas antifumo, com um custo de 125 mil euros, são de material inflamável e não têm tratamento anticarbonização, avançaram na sexta-feira o Jornal de Notícias e o Observador.

No sábado, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, mandou abrir um inquérito urgente sobre contratação de material de sensibilização para incêndios. No domingo, no Chão da Lagoa, o presidente do PSD, Rui Rio, sugeriu que o Ministério Público investigasse a forma como o material foi adquirido.

O caso motivou a demissão do técnico Francisco Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Protecção Civil e também presidente da concelhia do PS de Arouca. O Jornal de Notícias noticiou que foi Francisco Ferreira quem recomendou as empresas para a compra deste material entregue às 1.909 povoações abrangidas pelo programa.

O adjunto demitiu-se, mas o secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves, está agora na mira de PSD e CDS. Rui Rio considerou o caso “gravíssimo” e defendeu, esta segunda-feira, que o técnico adjunto de Artur Neves não terá “responsabilidade em tudo”. O deputado e dirigente centrista Telmo Correia considerou igualmente que Francisco Ferreira não pode ser o “bode expiatório disto tudo”.

Ministro anuncia relatório sobre perigosidade das golas

Entretanto, Eduardo Cabrita anunciou entretanto que será divulgado ainda esta terça-feira um relatório preliminar sobre a perigosidade inflamável das golas antifumo distribuídas pela Protecção Civil. O ministro, que falava na cerimónia de apresentação de um programa de prevenção de incêndios florestais, disse que perante a polémica dos últimos dias pediu um estudo ao Centro de Investigação de Incêndios Florestais, dirigido por Xavier Viegas.

O governante acrescentou que viu serem “ditas muitas coisas com carácter muito afirmativo” e apelou “à serenidade”.

“Aquilo que pedia, a bem da confiança no nosso sistema e na necessidade de garantirmos confiança nas populações, é que todos aqueles que forem tão peremptórios e tão definitivos sobre aquilo que é uma questão técnica no âmbito de algo que vale muito mais, a mobilização da população na articulação com as estruturas de bombeiros e de protecção civil, que leiam com atenção esse relatório e tirem as devidas conclusões a bem da serenidade e da confiança no sistema”, declarou.

O artigo foi publicado originalmente em Público.

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