Segundo o Growth Market Reports, o mercado global de agroquímicos atingiu os 243,7 mil milhões de dólares (205,7 mil milhões de euros) em 2024, impulsionado pelo aumento da procura de produção alimentar e por práticas agrícolas mais sustentáveis.
A mesma fonte antecipou ainda um crescimento médio anual de 4,9% entre 2025 e 2033, o que projeta o mercado para cerca de 375,5 mil milhões de dólares (317 mil milhões de euros) no final do período de previsão.
De acordo com a análise, o crescimento é atribuído, sobretudo, à intensificação da atividade agrícola, aos avanços tecnológicos na proteção de culturas e à maior adoção de fertilizantes e pesticidas de elevada eficiência, num contexto de pressão crescente para garantir segurança alimentar numa população global em rápida expansão.
O relatório avançou que o sector dos agroquímicos está a deixar de ser visto apenas como um conjunto de produtos para proteger culturas e aumentar rendimentos. Com a volatilidade climática, a degradação dos solos e o crescimento demográfico a convergirem, estas soluções estão a ser reposicionadas como ferramentas de precisão, com o objetivo de equilibrar produtividade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental.
Pressões que estão a moldar o sector
Com a população mundial projetada para ultrapassar os 9 mil milhões, a área produtiva por pessoa continua a diminuir, aumentando a necessidade de produzir mais com menos recursos, sobretudo em regiões com restrições de água e terra.
Em paralelo, padrões meteorológicos mais imprevisíveis estão associados a maior pressão de pragas e surtos de doenças, o que favorece formulações especializadas e adaptadas a cada região, em vez de soluções universais.
Outra tendência é a subida da procura por culturas de maior valor (frutas, hortícolas, oleaginosas e cereais “especialidade”), que exige proteção mais precisa e tende a aumentar a utilização de agroquímicos na horticultura e em culturas de rendimento.
Segundo a análise, os herbicidas continuam a dominar em volume, sobretudo em produção de cereais em grande escala, mas enfrentam maior pressão regulatória e problemas de resistência, o que tem empurrado a inovação para soluções mais seletivas e de menor toxicidade.
 
Nos inseticidas, o movimento descrito é de uma transição de produtos de largo espetro para alternativas mais específicas e biológicas, procurando reduzir impactos em insetos benéficos, como polinizadores. Já os fungicidas surgem como um motor de crescimento discreto, com procura sustentada devido ao aumento de doenças fúngicas associadas à humidade, com destaque para produtos sistémicos e combinações.
De acordo com o estudo, os produtos biológicos estão a entrar no mainstream e, em muitos casos, passam a ser adotados como complemento, e não necessariamente como substituição, dos químicos sintéticos.
Tecnologia e reviravolta digital na aplicação
A aplicação de agroquímicos está a tornar-se mais tecnológica, com recurso a drones, sensores e pulverização de taxa variável, apoiada por sistemas de IA, para reduzir desperdício e melhorar eficácia.
Também se destaca a personalização baseada em dados: formulações concebidas a partir de informação do solo, modelos climáticos e genética das culturas, aproximando o sector de uma lógica de “agricultura de precisão”.
No entanto, persistem entraves. Mantêm-se a resistência crescente a pesticidas, preocupações públicas com saúde e ambiente, quadros regulatórios complexos e fragmentados, e custos elevados de I&D com prazos longos de aprovação.
Segundo a análise, num mercado em crescimento, a vantagem competitiva tenderá a pertencer menos a quem “vende mais químicos” e mais a quem resolve problemas agrícolas de forma integrada, com eficácia comprovada, menor impacto e adoção real no terreno.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.












































