Maiores produtores africanos de cacau contestam multinacionais americanas

Maiores produtores africanos de cacau contestam multinacionais americanas

A Costa do Marfim e o Gana, os dois maiores produtores de cacau do mundo, acusaram hoje as multinacionais Hershey e Mars de se recusarem a pagar o prémio especial para agricultores, negociado no ano passado.

Na mesma declaração, os dois países informaram terem suspendido os programas de certificação da Hershey.

O Cocoa Coffee Council (CCC), da Costa do Marfim, e o Ghana Cocoa Board (Cocobod), os organismos reguladores dos setores do cacau nos dois países da África Ocidental, que juntos produzem dois terços do cacau mundial, criticaram as gigantes americanas por comprarem cacau ou manteiga de cacau sem pagar o Diferencial de Rendimento Decente (DRD), um prémio de 400 dólares (335 euros) por tonelada de cacau, acima do preço de mercado, destinado a remunerar melhor os produtores, muitos dos quais vivem na pobreza.

Os dois organismos reguladores do setor do cacau, numa carta conjunta dirigida à empresa, Hershey, consideram existir indícios claros da sua intenção de não pagar o DRD.

O CCC e o Cocobod “não têm outra alternativa senão suspender todos os programas de certificação” da Hershey na Costa do Marfim e no Gana.

Os programas de certificação para fabricantes de chocolate visam garantir que compram cacau “sustentável”, que cumpre critérios de produção ética (por exemplo, não conduz à desflorestação ou à utilização de trabalho infantil) e são um importante elemento de comunicação e marketing para os consumidores ocidentais.

“É óbvio que empresas como a Mars estão discretamente a recuar” na sua promessa de pagar o DRD, consideram as duas organizações do setor, numa comunicação enviada à Cocoa Merchants Associaton of America (a união dos fabricantes americanos de cacau/chocolate), acusando o produtor das famosas barras de chocolate de ter alterado grande parte da sua oferta de manteiga de cacau para evitar pagar o prémio aos produtores.

As empresas comprometeram-se a pagar o DRD, negociado em 2019 entre os países produtores e as multinacionais do cacau e do chocolate, mas o CCC e o Cocobod denunciam “uma quebra de confiança” e mesmo “um plano” contra este sistema criado para remunerar melhor “três milhões de agricultores da África Ocidental”.

Em declarações à AFP, a Hershey disse que a “falsa declaração” do CCC e do Cocobod era “lamentável”, acrescentando que “comprometem programas essenciais que beneficiam diretamente os produtores de cacau”.

O grupo Mars Wrigley, em comunicado, “negou categoricamente as alegações” e garantiu “apoiar” o DRD, bem como trabalhar através dos seus programas de certificação numa “nova abordagem para aumentar o rendimento dos produtores de cacau”.

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