Joaquim Pedro Torres: “A primeira coisa a fazer é querer (politicamente) que Portugal seja realmente um país agrícola”

Joaquim Pedro Torres: “A primeira coisa a fazer é querer (politicamente) que Portugal seja realmente um país agrícola”

 

Um Fórum, da iniciativa do Partido Socialista, realizado através da plataforma Zoom e transmitido em directo na página do PS no Facebook

“A primeira coisa que deveríamos fazer era tomar a decisão política de querer que o nosso País seja realmente um país agrícola. Um país agrícola, moderno, eficiente, competitivo, um país que acredite que a agricultura, para além do seu contributo para a actividade económica, é um sector fundamental no ordenamento do território, na defesa do território, na dinamização de outras economias”. Quem o defende é Joaquim Pedro Torres, empresário agrícola e responsável pela AgroGlobal.

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, e Joaquim Pedro Torres, participaram no “Fórum Novos Desafios”, do PS, organizado pelo presidente da Câmara do Cartaxo, o socialista Pedro Ribeiro.

Joaquim Pedro Torres, que continua a preparar a 7.ª edição da AgroGlobal – Feira das Grandes Culturas, que deverá realizar-se de 9 a 11 de Setembro de 2020, em Valada do Ribatejo — As inscrições para expositores já estão abertas, aqui — afirmou neste debate que “a primeira coisa a fazer é querer (politicamente) que Portugal seja realmente um país agrícola” e realçou que, do seu ponto de vista, as grandes prioridades para a actuação do Governo devem ser “o investimento no regadio” e a “desburocratização da agricultura”.

Fóruns Novos Desafios do PS

Um Fórum, da iniciativa do Partido Socialista, realizado através da plataforma Zoom e transmitido em directo na página do PS no Facebook, que, explicou Pedro Ribeiro, teve como objectivo debater “os desafios, com que todos nós nos confrontamos (…) fruto da pandemia de Covid-19” na agricultura.

Maria do Céu Albuquerque, que abriu o debate, realçou a dificuldade com que se depara o agricultor “que tinha a sua produção programada para fazer face a uma época, onde especialmente havia e há produtos que são produzidos para fazer face à procura, nomeadamente na época Pascal” e que, com a pandemia de Covid-19 “não houve a oportunidade de repensar a produção, de encontrar formas diferentes de escoamento”.

Mas, a ministra salientou que “a agricultura não parou, antes pelo contrário, de forma muito resiliente, muito capaz e até muito inovadora, conseguiu dizer “estamos cá”, estamos a trabalhar (…) embora estejamos a ter algum prejuízo (…) mas queremos que nada falte [na mesa dos portugueses]”.

Apostar nos produtos em que somos competitivos

Para Joaquim Pedro Torres, quando falamos em auto-suficiência alimentar (…) temos muito para fazer, temos muito de aumentar os nossos níveis de produtividade”, o que não quer dizer “propriamente que consigamos fazer tudo, isso não faz sentido, não faz sentido a nível português, não faz sentido a nível ibérico, e talvez até nem faça sentido, totalmente, a nível europeu”.

Para o empresário agrícola, “os países devem trabalhar para as suas especialidades. Principalmente um país como Portugal, que tem uma das suas principais deficiências ao nível do abastecimento na parte dos cereais. Nós não temos aqui condições para concorrer no mercado com países como os Estados Unidos, o Brasil, a Ucrânia, como a própria China”.

Portanto, acrescenta Joaquim Pedro Torres, “vale a pena continuar a dar alguma atenção a essas áreas mas eu colocaria a questão mais num contexto europeu. Se não nos dedicarmos às nossas especialidades, o défice da nossa agroalimentar, que ainda é muito importante (…) se retiramos a área agroflorestal (…) ainda temos um valor superior a 3 mil milhões e como tal devemos de pensar fundamentalmente naquilo que podemos fazer para alterar esta situação, não para podermos dizer que temos todos os produtos, (…) temos muitos produtos em que podemos apostar em que somos realmente eficientes, em que somos realmente competitivos”.

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O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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