Investimento de 22 M€ muda agricultura na ilha cabo-verdiana de Santo Antão

Investimento de 22 M€ muda agricultura na ilha cabo-verdiana de Santo Antão

Um inovador projeto de produção agrícola autossuficiente em água e energia a instalar na ilha cabo-verdiana de Santo Antão, avaliado em 22 milhões de euros, garantidos por investidores internacionais, vai empregar 100 pessoas e revolucionar a agricultura local.

A informação consta do Estudo de Impacte Ambiental do projeto AquaSun Santo Antão, em fase de instalação no município de Porto Novo e cuja consulta pública do documento, a que a Lusa teve acesso, decorre até 10 de dezembro, prevendo, genericamente, impactos reduzidos na fase de exploração do empreendimento.

A fase de exploração – o documento não aponta datas para o arranque – consiste no funcionamento de todo o sistema integrado, nomeadamente um parque solar híbrido de 6,8 MegaWatts (MW) para alimentar a central dessalinizadora que também será construída, ligando ainda à central elétrica da rede pública, mas também reservatórios de água, estufas de hidropónica, centro agroindustrial e distribuição de água às comunidades rurais.

Promovido pela empresa AquaSun Energia e Água em parceria com os britânicos Brine – Engineering Solutions (da aérea das energias renováveis e desenvolvimento sustentável) e o Governo de Cabo Verde, o empreendimento prevê a contratação de mão-de-obra local, empregando, numa primeira fase, 100 agricultores, entre contratação direta e indireta, com um “rendimento seguro durante pelo menos 20 anos dos ciclos de operação”.

O parque solar híbrido a implementar envolve um sistema de painéis fotovoltaicos num terreno de 22,57 hectares, propriedade da AquaSun Energia e Água, localizado na Chã de Bombardeira, na orla costeira do Porto Novo, integrando ainda uma central de baterias para armazenar a energia produzida e garantir a alimentação dos consumos nos períodos de baixa intensidade solar.

Contudo, 23% da energia gerada “poderá ser exportada para a rede da concessionária” de Porto Novo, “para compensar os dias em que a energia é importada da rede, por falta de exposição solar”.

O empreendimento envolve ainda a construção de uma central dessalinizadora, numa parcela de terreno de 10.129 metros quadrados junto ao mar, com uma capacidade de produção de 3.500 metros cúbicos de água doce por dia e respetivo armazenamento para uso agropecuário em Porto Novo.

“Do volume de água produzida, uma parcela será destinada ao abastecimento de agricultores locais no sistema de rega, outra parcela será destinada a projetos de hidroponia e agropecuária a serem desenvolvidos pela AquaSun Energia e Água”, lê-se no documento em consulta pública.

Os promotores sublinham que este projeto pretende “criar mais recursos para o desenvolvimento sustentável e participar na otimização do setor agroindustrial”, com investimentos “estratégicos nos domínios das energias renováveis, dessalinização da água do mar para rega e, no setor agrícola, produção hidropónica e produção tradicional”.

“A AquaSun Santo Antão pretende ser um projeto agroindustrial com uma forte componente energética dentro de um modelo de agronegócio com um ciclo fechado de cadeias de eventos, em que a AquaSun Energia e Água SA como operador irá desenvolver o ciclo de produção e alocação dos produtos através de um centro agroindustrial a ser construído na ilha de Santo Antão”, assumem ainda os promotores do investimento.

O projeto prevê também organizar os agricultores locais em forma de cooperativa profissionalizada, criando um plano de trabalho e de produção, para que “possam produzir para a AquaSun, que irá depois recolher esses produtos, transformá-los, certificar e alocar no mercado”.

“Todo este ciclo será gerido e supervisionado pelos técnicos da AquaSun para garantir um processo eficiente para os círculos de produção”, garantem ainda.

No empreendimento serão instalados dois centros de produção em hidroponia (cultivo sem solo, apenas com uma solução nutritiva de água e nutrientes essenciais), para fornecimento do mercado interno, nomeadamente exportação para as ilhas turísticas do Sal e da Boa Vista.

Essa componente, descrita como tecnologicamente avançada para o projeto do Porto Novo, prevê uma produção inicial de 132 toneladas de tomate e 90 toneladas de morango, anualmente, numa área produtiva de estufas de 3.000 metros quadrados.

A empresa assume ainda o objetivo de modernizar a atividade pecuária local, nomeadamente a produção de leite e derivados, bem como na conservação da carne para a exportação.

Comente este artigo
Anterior Covid-19: China intensifica inspeção sobre produtos importados
Próximo Sessão de apresentação da CULTIVAR - “Abastecimento alimentar: que fronteiras?” - 11 de novembro

Artigos relacionados

Últimas

Sessão de esclarecimento: Plano Integrado de Gestão de Fogos Rurais – 3 de fevereiro – Lisboa

O Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Engenheiros (OE), através dos seus Conselhos Nacional e Regionais do Colégio de Engenharia […]

Últimas

InovTechAgro – Inovação, mas não só! – Luís Alcino da Conceição

No nova PAC no período pós 2020 e na recente Agenda para a Inovação do Ministério da Agricultura as competências nas áreas de agricultura de precisão, digitalização e mecanização […]

Nacional

Casa Sabicos Reserva 2013 ganha medalha de excelência da Confraria Bacchus de Albufeira

O vinho tinto alentejano Casa Sabicos Reserva 2013, da Casa Agrícola Santana Ramalho, recebeu a medalha de excelência pela Confraria Bacchus de Albufeira, […]