Investigadores da Universidade de Sevilha estudam biopesticidas eficazes contra a Xylella fastidiosa
A Europa corre o risco de perder o seu olival, a menos que sejam encontradas soluções para combater a Xylella fastidiosa. Embora já existam alguns produtos no mercado, ainda não existem pesticidas cientificamente comprovados como eficazes contra a bactéria, de acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).
Por isso, a Universidade de Sevilha tem em curso uma investigação com o objectivo de seleccionar e validar biopesticidas sustentáveis e de alto desempenho que se mostrem eficazes contra a Xylella fastidiosa. O projecto Biovexo lançado recentemente e no qual participam investigadores da Área de Toxicologia da Universidade de Sevilha, liderados por Ángeles Jos, conta com um financiamento da União Europeia de 6,6 milhões de euros.
Em resposta à crescente ameaça de surtos da bactéria Xylella fastidiosa na Europa, o projecto Biovexo visa eliminar a doença a longo prazo e introduzir medidas de gestão que sejam económica e ambientalmente viáveis.
Assim, vai estabelecer um conjunto de biopesticidas (cepas bacterianas, metabólitos microbianos, extractos vegetais, fungos) que, combinados, terão como alvo directo a bactéria, e também actuarão no insecto vector transmissor da doença.
Produtos testados em Itália
Segundo a Universidade de Sevilha, esses produtos serão testados antes da sua introdução no mercado e as suas propriedades preventivas e curativas serão antes analisadas. Assim, durante o projecto, serão realizadas validações de campo em pequena escala e, com as formulações mais promissoras, estudos-piloto em grande escala e avaliações reais serão realizados em Apúlia (Itália) e Maiorca. Da mesma forma, será realizada uma avaliação da sua toxicidade e sustentabilidade, avaliando os produtos quanto ao seu potencial económico, cumprimento regulamentar e aptidão para produção à escala industrial.
A Universidade de Sevilha destaca que, desde 2013, a expansão da Xylella aumentou rapidamente em Espanha e Itália devido à sua transmissão por um insecto vector, danificando seriamente e frequentemente destruindo o olival em poucos anos, produzindo a chamada síndrome do declínio rápido da azeitona (OQDS).
Em toda a Europa, espera-se que a Xylella cause perdas substanciais entre 35% e 70% do rendimento dos olivais e 13% nas amendoeiras. “Dois milhões de toneladas de produção de azeite estão potencialmente em risco na Europa, a menos que um tratamento eficaz para a bactéria seja encontrado”, garantem os investigadores.
O projecto Biovexo, intitulado “Biocontrole da Xylella e seu vector em oliveiras para a gestão integrada de pragas”, foi executado por um consórcio diversificado de 11 parceiros e terá uma duração de cinco anos.
O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.
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