Investigadores criam app de georreferenciação de incêndios. Basta foto com o telemóvel para as autoridades terem acesso às coordenadas

Investigadores criam app de georreferenciação de incêndios. Basta foto com o telemóvel para as autoridades terem acesso às coordenadas

FireLoc possibilita a qualquer utilizador da app fotografar com o telemóvel um foco de incêndio para a Proteção Civil ter acesso às coordenadas do local em causa. Em 2020 arranca a a experimentação-piloto da aplicação, que estará disponível a todos os cidadãos em 2021, um sistema complementar mas não alternativo ao 112

Um grupo de investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra) e da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver uma aplicação (app) que permite comunicar“ em tempo real a localização de um foco de incêndio florestal”.

A principal novidade deste projeto, denominado FireLoc, é a de possibilitar ao utilizador da app fotografar com o telemóvel o foco de incêndio, preferencialmente “na fase inicial”, obtendo o sistema “automaticamente as coordenadas do local onde o utilizador se encontra, a sua orientação”, além de dados adicionais de validação da informação.

Segundo o co-investigador do projeto Alberto Cardoso, após a receção “o programa fará a avaliação e validação da informação através de um algoritmo baseado em inteligência artificial”. Em comunicado, o investigador avança que a plataforma trabalhará os dados de forma a disponibilizar a informação às autoridades de Proteção Civil.

“O objetivo é que as autoridades tenham acesso à localização exata de um fogo e, desta forma, tenham a máxima informação para um combate mais rápido às chamas”, afirma Cidália Fonte, investigadora responsável do projeto, que obteve um financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e permitirá, nos próximos dois anos, desenvolver a aplicação para a recolha de dados e a metodologia de validação dos dados recolhidos pelos cidadãos.

“O objetivo é que o FireLoc esteja disponível para todos os cidadãos em 2021”, adianta a investigadora. Ao Expresso, Cidália Fonte refere que todo o sistema está agora em início de desenvolvimento, garantindo que não se trata apenas de uma app para recolher a informação, mas de um sistema que irá processar os dados recolhidos (fotografias e dados geoespaciais) de forma a conseguir “efetivamente localizar os focos de incêndio reportados (identificando uma zona provável), e avaliar a confiança associada a essa informação, uma vez que há muitos tipos de erros que podem influenciar a qualidade dos dados enviados pela app e pelos cidadãos”.

Em 2020, a equipa de investigadores espera ter já uma versão em utilização, mas será apenas para monitorização “por utilizadores seleccionados”, em experiência piloto. Segundo Cidália Fonte, na fase experimental, será possível testar todo o sistema com dados reais e fazer as alterações que se venham a revelar necessárias.

A investigado salienta, contudo, que este sistema não será alternativo ao 112 – “que os cidadãos deverão continuar a usar” -, mas sim uma forma de obter informação útil adicional e complementar. Quem receberá a informação reportada será, durante o período de desenvolvimento do projeto, a Universidade de Coimbra, sendo a informação, depois de tratada, disponibilizada às instituições interessadas, “nomeadamente a Proteção Civil, os bombeiros, as autoridades locais, e aos cidadãos, embora com capacidades diferenciadas em função do tipo de utilizador, com níveis diferentes de agregação e possibilidade de aceder a dados”.

A identificação e a possibilidade de estabelecer contacto com os voluntários será uma opção do voluntário, que poderá permanecer anónimo, se assim o entender, ou disponibilizar os seus contactos. No entanto, o sistema enviará sempre ao voluntário feedback sobre a sua contribuição.

A equipa do projeto é composta por investigadores do INESC Coimbra, do Departamento de Matemática e do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra.

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O artigo foi publicado originalmente em Expresso .

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