Incêndios causam 200 milhões de euros de prejuízos anuais

Incêndios causam 200 milhões de euros de prejuízos anuais

Prevenir apostando no poder das redes sociais pode ajudar no combate aos fogos e na preservação da floresta

Portugal estava ainda assarapantado com a tragédia que matara, em junho, 66 pessoas em Pedrógão Grande, quando, a 15 de outubro de 2017, o fogo levou mais 50 vidas. Na zona Centro, as labaredas consumiram sete manchas de mato com mais de 10.000 hectares (ha) e causaram o maior incêndio de que há memória no País: na Lousã, arderam 45.500 ha de terreno. Entre as 10h do dia 15 e as 4h do dia 16 ocorreu ali a maior tempestade de fogo da Europa e maior do Mundo, em 2017.

A Comissão Técnica Independente haveria de concluir que, apesar da conjungação terrível e nada usual de fatores metereológicos, falhara a capacidade de “previsão e programação” para “minimizar a extensão” do fogo. Estavam reunidas as condições para mais uma discussão sobre as causas e consequências dos incêndios, sobre o modo como fazemos a prevenção dos fogos, enfim, sobre a capacidade do “sistema” para combater tamanhas tragédias. Uma coisa parece certa: uma vez que os fogo consomem, em média e desde 2010, mais de 136.000 ha de terreno por ano, causando prejuízos anuais a rondar os 200 milhões de euros, toda a prevenção é necessária.

Redes que ajudam

Como prevenir melhor os fogos para termos uma floresta mais sutentável é o tema do debate que o JN, DN e TSF promovem esta quarta-feira, numa parceria com a Tabaqueira. No centro da discussão estará o poder das redes sociais como instrumento de sensibilização para alcançar tal objetivo.

Paulo Fernandes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), não tem dúvidas. “As redes sociais são um instrumento poderoso. Há muitos grupos, com interesses poderosos, que criam páginas nas redes para atirar todas as culpara aos incêndios. Combatê-los nesse mesmo campo, explicando devidamente as causas e consequências dos fogos, é serviço público”.

Abílio Pacheco, docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), concorda. “Vejo duas ´áreas em que o recurso às redes sociais é decisivo: alteração de comportamentos e capacidade para subsidiar projetos interessantes, como os desenvolvidos pela associação Montis .

Alterar comportamentos

A prevenção, acrescenta o docente da FEUP, “tem duas componentes fundamentais: a gestão do material combustível e a quantidade de ignições. É possível pensar em sistemas de crowdfunding para ajudar as pessoas a gerir melhor o combustível. Mas, sobretudo, as redes podem ser determinantes na alteração de comportamentos. Não podemos esquecer que 98% dos fogos resultam da ação humana”.

O Relatório de Atividades de 2019 da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) elenca os meios usados na campanha “Portugal Chama”: os meios digitais conseguiram pouco mais de 35 mil visualizações, o que, de acordo com os especialistas ouvidos pelo DN, é “manifestamente pouco”. “É fundamental refazer e reforçar as mensagens nos meios digitais”, indicam os especialistas.

O artigo foi publicado originalmente em DN.

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