Histórias com Presidentes entre vacas e agricultores

Histórias com Presidentes entre vacas e agricultores

“E uma selfie com o Marcelo, não tiraste?” Pois não, não tirei uma “marcelfie”:), porque o covid obriga-nos a manter distâncias, mas tive muito gosto em acompanhar a visita do Presidente da República à Sociedade Agrícola Carreira Gonçalves, em Esposende, no passado 10 de maio. Foi uma oportunidade de mostrar as condições de bem-estar em que as vacas estão alojadas, os modernos equipamentos de ordenha e o armazenamento do leite com toda a segurança alimentar que nos permitem produzir o leite com que brindámos e os queijos que o presidente provou, repetiu e elogiou.

Falámos da forma como cultivamos a terra e produzimos alimentos cuidando do ambiente, apesar das acusações e dos esquecimentos que agora dedicam aos agricultores. “A agricultura já existe há muito tempo e vai continuar a existir mais tempo do que os partidos políticos”, tranquilizou-nos o Presidente. Na altura da visita estávamos com o terceiro pior preço da Europa. Agora estamos com o pior preço e a alimentação das vacas está cada vez mais cara. Sabemos que o Presidente da República não tem poder executivo, mas pode exercer magistratura de influência e a sua presença, as suas palavras, o brinde com leite e o queijo que provou connosco foram importantes para nós, porque colocam estes assuntos na atualidade.

No rescaldo da visita, ao procurar as notícias relacionadas com “Presidente da República” e “vacaria “, os resultados da pesquisa recordaram-me a visita do anterior Presidente Cavaco Silva à Agromancelos, em Amarante, a 3 de outubro de 2008. E como já passou muito tempo, acho que posso contar a história dos bastidores dessa visita.

Tudo começou em Santarém, durante a minha visita à feira nacional da agricultura em junho de 2007. Entrei no stand da Confagri, onde eu costumava comprar as melhores cerejas da feira, e vi na capa da revista “Espaço Rural” a foto do Comendador Mendonça numa audiência com o presidente da República. Levei essa ideia para reunião da AJAP, onde era vice-presidente. A ideia foi bem acolhida, mas o pedido de audiência seguiu com poucas expetativas da nossa parte.

Felizmente, o assessor do Presidente para a área agrícola era o Eng. Armando Sevinate Pinto, ex-ministro da agricultura, que dedicava uma particular atenção aos jovens agricultores. Em outubro de 2007, fomos chamados ao Palácio de Belém. Depois dos cumprimentos, a primeira parte da audiência foi para nos queixarmos do ministro Jaime Silva (devia ser o assunto de todas as audiências agrícolas 😊). Depois falámos dos jovens agricultores e no último ponto da reunião convidámos o Presidente a “visitar explorações agrícolas de jovens instalados no sector, exemplos de inovação e empreendedorismo, como alternativa à desertificação humana do interior, com o objetivo de melhorar a imagem da agricultura na sociedade e cativar jovens a instalarem-se na agricultura.”

Para nossa surpresa, o presidente que bocejava enquanto falámos do ministro aceitou o nosso convite com entusiasmo. Pensámos que estava apenas a ser cortês, mas algum tempo depois fomos desafiados a enviar dois roteiros de visita, uma para o Norte, outra para o Sul, que seria provavelmente a preferência do Eng. Sevinate Pinto, mas tivemos a sorte do presidente dedicar um roteiro à juventude no Norte, com a ANJE, e encaixar as nossas propostas de visita: a Primeira vacaria em Portugal a instalar um robô de ordenha, em Amarante, da Manuela Marinho e do José António Teixeira, que era suposto ser uma visita “reservada”, e uma visita à Quinta de Lourosa, em Lousada da jovem enóloga Joana Castro, onde o Presidente provou vinho verde e almoçou com os jovens agricultores. A visita em Amarante não foi exatamente “reservada”: Foi “feriado” em Amarante e o presidente ficou encantado com as crianças das escolas que o receberam e visitaram no final a vacaria. E ficou também fascinado com a história de vida do casal de jovens agricultores e com a tecnologia do robô onde as vacas “se encostavam” para ser ordenhadas. Falou disso ao fim do dia na Universidade do Porto, num discurso que deu mote para um sketch dos “Gato Fedorento”. Um dia inesquecível.

#carlosnevesagricultor

O artigo foi publicado originalmente em Carlos Neves Agricultor.

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