Haja respeito por 2/3 do território!

Haja respeito por 2/3 do território!

Juntaram-se este sim-de-semana no Terreiro do Paço milhares de pessoas “pela promoção, defesa e valorização do Mundo Rural e das suas Gentes”. Uma concentração onde não foram necessários partidos ou associações do setor para a levar a cabo nem barreiras para a controlar.

Podia-se ler nos cartazes “Se o campo não planta, a cidade não janta” e no manifesto “O Portugal Rural é para afirmar e promover. Não aceitamos a desertificação de parte do território nacional, nem o esquecimento dos Portugueses que vivem no Mundo Rural”. No entanto, estas mensagens mal saíram do Terreiro do Paço e pouco se ouviu durante ontem sobre esta concentração “que levou o Mundo Rural à cidade”.

Apesar da grande adesão de cidadãos anónimos, parece que houve muitos que tiveram medo da chuva. Partidos políticos muito poucos, deputados eleitos ainda menos, comunicação social e notícias na internet, jornais ou televisão apenas umas pingas. Já diz o velho ditado “não se pode ter sol na eira e chuva no nabal” e parece que todos estes que enumerei o querem contrariar, ignorando, uma vez mais, tudo aquilo que está fora da sua “área metropolitana”.

Não, não faço parte da organização. Não, não estive na concentração (infelizmente). Sou apenas um cidadão anónimo, que tal como muitos outros só queria poder acompanhar, conhecer as propostas e quem sabe apoiar mais uma causa, de entre tantas outras causas que todos os dias vão para a rua. A única diferença é que a grande maioria dessas causas, que muitas vezes juntam umas dezenas em frente à Assembleia da República ou no Terreiro do Paço, têm direito a abertura dos jornais televisivos, diretos e notícias em todos os jornais.

Mas, neste caso, parece que mais de 2/3 da comunicação social não quer saber. E que mais de 2/3 de quem nos representa na Assembleia da República também não quer saber. Pede-se mais respeito por 2/3 do território, pede-se mais respeito pelo mundo rural!

O artigo foi publicado originalmente em Observador.

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