Há “sangue novo” na citricultura algarvia

Há “sangue novo” na citricultura algarvia

Vera Sustelo é um bom exemplo da mudança que os citrinos algarvios estão a viver. Jovem, dinâmica, formada em engenharia agronómica, deu continuidade à atividade agrícola dos pais. Além do próprio pomar de 65 hectares ainda presta assessoria técnica, e desde 2008 trabalha também na empresa Frutarade (Silves).

Esta década que já tem de experiência no terreno permite-lhe olhar para trás e verificar uma grande evolução no setor, sobretudo devido ao que chama de “sangue novo”. Este rejuvenescimento está a contribuir para que os pomares sejam de maior dimensão, com mais apoio técnico, logo, mais eficientes e produtivos. Por outro lado, o consumidor final tem mais garantias sobre a qualidade da fruta que adquire, nomeadamente porque as colheitas são feitas de acordo com a maturação da produção. Este ponto faz-se notar também no aumento da procura de citrinos para exportação.
Apesar deste trilho positivo há dificuldades que persistem e outras novas que vão surgindo. O primeiro entrave que Vera nos aponta é a dificuldade em conseguir mão de obra, uma situação que em seu entender só poderá ser menorizada com mais mecanização e melhores salários. A falta de água ainda não é um problema mas com as mudanças que o clima está a sofrer é muito provável que venha a verificar-se no futuro, com períodos de seca cada vez mais frequentes, por isso é preciso tomar medidas agora. Do ponto de vista sanitário, existe a ameaça de novas pragas que podem afetar o sector e, para além disso, das já existentes é problemática a falta de substâncias ativas eficazes para fazer o respetivo combate. Paralelamente, é sabido que o consumidor procura cada vez mais produtos sem resíduos, um desafio que deverá ser considerado.

Nova Associação pode trazer o associativismo que faltava
Outra preocupação são os furtos da fruta. Além da perda direta os produtores acreditam que muita dessa fruta acaba vendida à beira das estradas, sem qualquer controlo, numa verdadeira ameaça à segurança alimentar porque podem muito bem estar à venda laranjas que no dia anterior foram sujeitas a tratamentos agroquímicos.
A jovem engenheira técnica aborda também a questão do associativismo, que pouco ou nada mudou nas últimas décadas, depositando agora esperança na associação que está a ganhar forma  (AlgarOrange). Acredita que o seu sucesso vai passar sempre pelas principais centrais fruteiras na defesa dos citrinos do algarve. “Efetivamente a falta de organização do setor, no que se refere à concentração da oferta, continua a ser um dos maiores pontos fracos. Paralelamente, existe um esmagamento dos preços como resultado da grande concentração da distribuição”.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 223 (fevereiro 2019)

O artigo foi publicado originalmente em Voz do Campo.

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