Governo e CDS em guerra de números nos apoios à agricultura

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, criticou o Governo por ser “inaceitável” que haja “22 mil candidaturas aos fundos para a agricultura à espera de serem aprovadas”. A acusação foi feita no domingo, numa visita à Feira Nacional da Cebola, e um dia depois o Governo responde acusando a líder centrista de “manipulação grosseira de números”, que assume um cariz de maior gravidade pelo facto de Cristas ter ocupado “a pasta da Agricultura durante quase cinco anos”.

Pelas contas do Executivo, “até este momento, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural PDR 2020, foram decididas 46.656 candidaturas de projetos de investimento, de um total de 57.112 candidaturas validadas. Das 10.456 candidaturas em processo de análise, a maioria corresponde aos concursos recentemente abertos, encontrando-se em processo de análise, dentro dos prazos normais”.

Em comunicado enviado às redações, o Ministério da Agricultura sublinha que “o facto de estar em curso o período de pré-campanha eleitoral não justifica a manipulação grosseira de números por parte de uma deputada que ocupou a pasta da Agricultura durante quase cinco anos, vindo agora criticar o Governo por apresentar uma taxa de decisão de 81,7%, quando a sua própria taxa de decisão foi de 9,1%, deixando por aprovar 12.614 projetos“.

“O facto de estar em curso o período de pré-campanha eleitoral não justifica a manipulação grosseira de números por parte de uma deputada que ocupou a pasta da Agricultura durante quase cinco anos.”

Ministério da Agricultura

Assunção Cristas, no domingo, citada pela Lusa, reafirmou “o compromisso total do CDS com o mundo rural e com o mundo agrícola”, onde há ainda “um trabalho para fazer” e disse que é “inaceitável que Governo tenha 22.000 candidaturas aos fundos para a agricultura à espera de serem aprovadas” e que as pessoas não possam “contar com essas verbas para os seus investimentos”.

“Embora não tenha participado numa única reunião da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar, à qual pertence, a deputada Assunção Cristas tem obrigação de conhecer os números que respeitam à execução do Programa”, atira o Governo no mesmo comunicado. “Portugal é o quarto Estado-membro da União Europeia com melhor execução do PDR 2020 (54%), sendo que o ritmo de execução imprimido pelo Governo determinou que se verifique, neste momento, um avanço de cerca de um ano sobre o desempenho do programa gerido por Assunção Cristas, o Proder, cuja execução estava em 41%, no período homólogo”.

E para suportar o ponto, o ministério de Capoulas Santos avançou uma tabela comparativa:

Para o CDS, apesar de Portugal não conseguir “produzir todas as culturas”, em muitos casos é possível “produzir mais e melhor e isso depende do bom uso dos fundos comunitários e de investimentos críticos que têm que ser pensados para o país”, disse. Assunção Cristas defendeu ainda os investimentos na água, afirmando que “há um trabalho muito sério para ser planeado e feito em Portugal” nesse âmbito.

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O artigo foi publicado originalmente em ECO - fundos comunitários.

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