O Governo da Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau, anunciou hoje que vai comprar grandes volumes desta matéria-prima, que se acumularam em cooperativas no país, para permitir que os seus produtores sejam pagos.
O setor do cacau, que representa 14% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, atravessa uma situação crítica, com um abrandamento das exportações num contexto de problemas de liquidez dos compradores e de queda dos preços mundiais, apesar de o preço fixado pelo Estado costa-marfinense para um quilograma de cacau ter atingido um máximo histórico de 2.800 francos CFA, o equivalente a 4,27 euros, noticiou a agência France Presse (AFP).
Devido a este acumular de matéria-prima, uma parte dos cerca de cinco milhões de pessoas que vivem do cacau na Costa do Marfim deixou de receber rendimentos há vários meses, sendo que a maioria já vive abaixo do limiar da pobreza.
Em colaboração com a organização interprofissional dos produtores de cacau e com o Conselho do Café e do Cacau, regulador do setor, o Estado costa-marfinense vai proceder à implementação de um mecanismo de compra deste ‘stock’, estimado em 130.000 toneladas, ao preço de 2.800 francos CFA por quilograma (4,27 euros o quilograma), anunciou o ministro da Agricultura, Kobenan Kouassi Adjoumani, aos jornalistas.
Para esse efeito, o Estado irá apoiar-se em “atores nacionais”, que ficarão encarregados de recolher os ‘stocks’ nas zonas de produção e transportá-los para armazéns, detalhou o governante.
“Estas medidas permitirão agir rapidamente nas zonas de produção, restabelecer a liquidez, garantir o escoamento para as fábricas e os portos, reforçando, ao mesmo tempo, o papel dos atores nacionais na cadeia de valor”, prosseguiu Kobenan Kouassi Adjoumani.
Segundo o ministro, o setor enfrenta igualmente “uma pressão acrescida ligada aos fluxos transfronteiriços provenientes de países vizinhos, onde os preços pagos à produção são inferiores aos praticados no país”.
Para combater essa realidade, o ministro anunciou o reforço dos controlos nas fronteiras.















































