Gestão ativa favorece floresta mais segura

Gestão ativa favorece floresta mais segura

Independentemente da espécie, é a forma como os espaços florestais são geridos que faz a diferença nas florestas que ardem menos.

A gestão ativa faz a diferença na floresta, tornando-a mais segura. Independentemente da espécie florestal, é esta gestão, baseada em boas práticas silvícolas, que contribui para diminuir o impacto dos fogos. Não só para reduzir a probabilidade que estes aconteçam, mas também para que não se propaguem de forma descontrolada e causem danos significativos.

Nas florestas com gestão responsável, tudo é planeado e organizado num ciclo de operações (da instalação ao corte do povoamento) que acontece sobretudo fora do verão. Tudo para que, quando a temperatura subir e a humidade descer, a floresta esteja mais bem preparada para resistir ao fogo e minimizar as consequências dos incêndios. Estas são as florestas que ardem menos e melhor recuperam.

Os incêndios que marcaram o ano de 2017 despertaram a atenção pública para a necessidade de maior intervenção na floresta, assistindo-se ao reforço da legislação criada há mais de dez anos – o Decreto-Lei n.º 124/2006, que estrutura o atual Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios. Com o foco especialmente dirigido para a criação e manutenção de Faixas de Gestão de Combustíveis (FGC), a lei determina distâncias de proteção para edifícios, aglomerados populacionais, equipamentos e outras infraestruturas, responsabilizando os proprietários florestais.

Quando limpar as faixas de combustíveis?

Com cumprimento obrigatório até 30 de abril de cada ano, a limpeza dos espaços florestais traduz-se em grande azáfama nas semanas anteriores. Mas se algumas operações se justificam para essa altura – como a limpeza das herbáceas, os combustíveis finos que crescem rapidamente, ultrapassando os 20/50 cm (ervas/arbustos) definidos pela lei –, outras, como a seleção de varas no eucaliptal ou as gradagens, podem ser executadas entre o outono e a primavera.

Nas florestas com gestão responsável, tudo é planeado e organizado, desde a instalação ao corte do povoamento, num ciclo de operações que acontece sobretudo fora do verão.

Historicamente é particularmente importante que as operações florestais enquadradas na defesa de pessoas e bens sejam efetuadas até final de abril. Tendo em conta as imposições legais sobre as faixas de gestão de combustível, o ideal é que a limpeza destas áreas (nos 50 ou 100 metros ao redor dos edifícios ou aglomerados populacionais) aconteça entre fevereiro e abril. Em zonas onde não há pastoreio, os combustíveis finos crescem durante todo o ano, e ao cortá-los no outono o proprietário só duplica despesa, pois terá de voltar a limpá-los antes do verão.

Ações na floresta produtiva

Dentro da floresta, nos espaços que não estão abrangidos pelas FGC definidas na legislação, a gestão dos povoamentos decorre principalmente entre o outono e a primavera, quando não existem restrições legais (de junho a setembro), pelo risco que representa a circulação de máquinas de combustão interna e externa (tratores, equipamentos e veículos de transportes pesados).

Esta gestão, que visa tornar a floresta mais resiliente, produtiva e ambientalmente sustentável, envolve um número considerável de operações, como seleção de varas, podas, desramações, controlo de pragas e doenças, controlo de matos, limpeza de caminhos ou aceiros, ou construção/melhoria de pontos de água.

Cuidar todo o ano é o desafio para uma floresta mais segura, e uma forma de combater o absentismo e a desertificação do interior, que deixou os espaços rurais sem aqueles que outrora cuidavam e vigiavam a floresta.

O artigo foi publicado originalmente em Produtores Florestais.

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