O desperdício da lã de ovelha vai ser convertido em fertilizante agrícola e utilizado para minimizar a seca graças ao projeto CIRCWOOL, em Figueira de Castelo Rodrigo.
O projeto foi um dos vencedores da 7.ª edição do Concurso Promove, da Fundação ‘la Caixa’/ BPI, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
“Este projeto quer transformar esse desperdício em produtos destinados à agricultura, nomeadamente à fertilização dos solos de olivais e pastagens. Isto veio no seguimento daquilo que ouvimos dos criadores de gado do nosso concelho, que não sabem o que fazer à lã das ovelhas”, adiantou à agência Lusa o presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo.
Carlos Condesso disse tratar-se de “um grande problema”, que se agravou com o fecho, em outubro de 2025, do último lavadouro de lãs do país, que funcionava na Guarda.
“Outrora, a lã de ovelha era um rendimento, era mesmo apelidada de ‘ouro branco’, mas hoje tem baixo valor comercial e até gera custos por causa da acumulação do desperdício e, eventualmente, das coimas a que possam ser sujeitos pelas entidades ambientais, porque a lã de ovelha não pode ser enterrada”, acrescentou.
O projeto CIRCWOOL surgiu para “inverter este ciclo”, numa parceria que envolveu o município de Figueira de Castelo Rodrigo, através da Plataforma de Ciência Aberta, e das Associações de Criadores de Ruminantes da Guarda (ACRIGUARDA) e de Almeida (ACRIALMEIDA), no distrito da Guarda.
A coordenação é do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, através do Centro de Investigação LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food.
“A iniciativa representa um marco, também aqui na estratégia da inovação, do desenvolvimento do território, e esta inovação só faz sentido quando pretende resolver o problema das nossas comunidades”, concluiu Carlos Condesso.
Citado numa nota enviada à agência Lusa, Diego Arán, coordenador do projeto e investigador do Instituto Superior de Agronomia, considerou que este projeto vai “combinar estrategicamente a exploração de novos produtos agrícolas e a sua avaliação em condições de campo com a avaliação de estratégias de cooperação, valorização e marketing”
“Os produtos agrícolas gerados pelo projeto serão testados na melhoria dos solos de olival e pastagens da região, que enfrentam desafios ao nível da fertilidade e disponibilidade hídrica”, indicou.
Está agendada para sexta-feira uma primeira reunião de trabalho entre os parceiros do CIRCWOOL, em Figueira de Castelo Rodrigo.
“Queremos arranjar uma solução para a nossa região e para o país, que agrade aos criadores de gado e que, no fundo, os venha aliviar das despesas que têm com a tosquia”, realçou Carlos Condesso.


















































