Fábrica de processamento de nozes “única na Europa” inaugurada hoje em Évora

Fábrica de processamento de nozes “única na Europa” inaugurada hoje em Évora

Uma fábrica de processamento de nozes “única em dimensão e características na Europa” é inaugurada hoje em Torre de Coelheiros, concelho de Évora, como parte de um investimento de cerca de 50 milhões de euros do grupo Sogepoc.

A unidade da Nogam, um dos mais recentes investimentos do grupo de Ortigão Costa, faz parte da estratégia de “diversificação” da sociedade familiar e representa um investimento de “6,9 milhões de euros”, explicou à Lusa o diretor executivo, Tiago Costa.

Desse investimento, 1,7 milhões de euros foram financiados pelo programa COMPETE 2020, em função da “inovação produtiva” que representa a unidade.

O investimento global de “cerca de 50 milhões de euros”, que inclui a “compra de terra, plantação, custo de manutenção das nogueiras até ao terceiro ano e também todo o investimento na fábrica e na unidade de apoio à parte agrícola” deverá resultar numa faturação anual “entre 20 a 25 milhões de euros” segundo as expectativas de Tiago Costa.

“Como vamos, de certa maneira, substituir a oferta americana no mercado europeu, que importa bastante noz, e nós próprios [Portugal] somos capazes de importar 70% do que consumimos, pretendemos ter uma oferta diferenciada que nos dá a perspetiva de vir a faturar entre 20 a 25 milhões de euros com esta unidade”, explicou o diretor executivo da Nogam.

A fábrica deverá dar origem a “cerca de 100 postos de trabalho permanentes e também alguns temporários” e terá uma capacidade de processamento de “seis mil toneladas anuais de nozes com casca”, das quais a ‘fatia’ de produção própria da Nogam deverá rondar as “quatro mil toneladas” em “velocidade de cruzeiro”.

Depois, a Nogam pretende estabelecer “parcerias com produtores chilenos”, que vão permitir complementar a colheita portuguesa com “colheita de contra estação do Chile”, mas também com o processamento da produção de outros produtores nacionais.

“Ao fazer este investimento, assegurámos que era viável pela nossa produção própria, mas tornámo-lo com dimensão suficiente para ajudar ao desenvolvimento do setor e também para poder processar as nozes de terceiros”, explicou Tiago Costa.

Trata-se, também, de um investimento fortemente vocacionado para a exportação, que deverá representar “60% a 70%” das operações da fábrica, a qual, apesar de estar a posicionar-se “também para o mercado português”, tem como objetivo “substituir a oferta americana” para mercados fortemente importadores, “nomeadamente Espanha, Itália e Alemanha”.

“Por um lado, vamos conseguir substituir a oferta americana, por outro, ao importar noz chilena com casca, vamos ser nós a parti-la aqui e a conseguir entregar aos clientes um produto mais fresco”, explicou o responsável da Nogam.

Isto porque o trajeto dos frutos entre os Estados Unidos e a Europa “dura cerca de 40 dias” e a noz é importada já em miolo, apesar de ser “sempre mais bem conservada dentro da casca”.

“Nós, o que vamos fazer é partir [a noz] próximo da encomenda, em quantidades de menor dimensão, portanto a encomenda pode ser mais pequena. Para todos os efeitos, vamos ser os únicos capazes de entregar noz fresca todo o ano, acabada de partir”, concluiu Tiago Costa.

O processamento de noz começa pela eliminação do “cascarrão verde” que envolve o fruto seco no momento da colheita e passa por várias etapas até chegar ao consumidor final, quer ainda dentro da casca, quer como miolo.

“Passa-se por esse processo de retirada do cascarrão, limpeza da noz, inclusive da casca castanha, e depois secagem. Após isso, separa-se por calibres e já pode ser vendida assim. Quando não conseguimos vender com casca e temos outros pedidos para miolo, passamos à zona de partir e aproveitamos o miolo. Este, depois, passa por processos de seleção ótica e manual até ser embalado em diferentes dimensões”, descreveu Tiago Costa.

A produção própria da Nogam corresponde a “785 hectares de fruto secos em geral”, dos quais “615 hectares” são de nozes e os restantes de amêndoas.

A Sogepoc, ‘holding’ que detém a Nogam, entre outras empresas do ramo, é “um grupo familiar de capital português com uma longa experiência na agroindústria”, segundo um comunicado da empresa enviado à Lusa.

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