Exportações: Os pequenos frutos são os maiores!

Exportações: Os pequenos frutos são os maiores!

[Fonte: Revista Frutas Legumes e Flores]

(Artigo publicado na edição de Fevereiro por Luís Medeiros Vieira, secretário de Estado da Agricultura e Alimentação)

Num sector que continua a revelar uma notável dinâmica exportadora, os pequenos frutos (framboesas, amoras, mirtilos, groselhas e outros) constituem um caso de sucesso ímpar: em 2005, as exportações de pequenos frutos atingiram os 31 milhões de euros, valor que, só nos primeiros 11 meses de 2018, chegou aos 180 milhões, tendo-se transformado numa verdadeira “cultura emergente”. Este crescimento espectacular revela o potencial deste tipo de culturas, com destaque para as framboesas, que, só por si, valeram 153 milhões de euros em exportações. São também estes pequenos protagonistas, que tanto interesse têm despertado entre os Jovens Agricultores, que contribuem para que a fileira da fruta continue a sua trajectória de crescimento, que ultrapassou os 5% no mesmo período de 2018.

O sector hortofrutícola é um exemplo de evolução, cujos resultados se mantêm em crescimento sistemático há anos, tendo a produção atingido os 2.500 milhões de euros em 2017, dos quais uma fatia de 41% seguiu o caminho da exportação. O contributo deste sector para a economia nacional tem igualmente merecido destaque na substituição de importações por produção nacional, para a qual contribuem os elevados padrões de qualidade da fruta nacional, cada vez mais procurada pelos consumidores portugueses. Do total exportado, 83% tem como destino os países da União Europeia, seguindo os restantes 17% para Países Terceiros.

Para esta dinâmica exportadora tem contribuído a capacidade de organização dos produtores e o apoio ao investimento qualificado na modernização das explorações e das unidades de transformação. Através do PDR 2020 foram já apoiados cerca de 6.000 projectos, aos quais foram atribuídos apoios na ordem dos 370 milhões de euros, a que corresponde um investimento global próximo de 700 milhões de euros.

A profissionalização do sector, aliada à determinação dos agricultores, a par dos ganhos de escala que têm sido alcançados através da concentração em organizações de produtores, têm igualmente sido fundamentais para este desempenho em matéria de exportações. O Governo tem vindo a apoiar esta estratégia, nomeadamente através da canalização de apoios públicos para as Organizações de Produtores, através do financiamento de Programas Operacionais, que atingem os 12 milhões de euros.

A estratégia de internacionalização do sector tem passado igualmente pela promoção e pela participação em eventos internacionais de grande dimensão, como é o caso da Fruit Logistica, o que tem permitido à produção nacional mostrar-se e competir nos grandes mercados. Sob a “marca-chapéu” Portugal Fresh, organização que tem tido um importantíssimo papel na implementação desta estratégia, os produtores portugueses apresentam agora, lá fora, produtos de elevada qualidade e de elevados padrões de segurança alimentar, alargando horizontes e procurando novos mercados.

A abertura de novos mercados à produção nacional tem sido também uma área de grande enfoque do Governo. Em termos comparativos, o anterior Executivo abriu 3 mercados para 7 produtos vegetais, enquanto o actual Governo abriu já 15 mercados para 45 produtos, estando já a negociar a abertura de mais 18 para 50 produtos, dos quais se destacam a China, África do Sul, Indonésia, Venezuela e Coreia do Sul. Dos mercados já abertos, salientam-se o México e a Índia, ambos para maçãs e pêra Rocha.

Ao empenho do Governo, tem correspondido o desempenho de um sector que se encontra na vanguarda das novas tendências alimentares. Para dar resposta ao crescimento demográfico, promovendo uma alimentação saudável, os especialistas mundiais apontam para a necessidade de aumentar o consumo de fruta, legumes, leguminosas e frutos secos para o dobro.

Esta alteração dos padrões alimentares deverá ocorrer até 2050, se quisermos dar resposta ao desafio demográfico, preservando o ambiente e a saúde. Portanto, estamos perante um sector de futuro e com muito futuro!

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