Estudo sobre Parque das Serras do Porto vai ajudar na gestão do território

Estudo sobre Parque das Serras do Porto vai ajudar na gestão do território

A Associação Parque das Serras do Porto apresentou hoje um estudo que pormenoriza as características do território, constituindo-se, também, como uma ferramenta para ajudar à gestão daquele espaço.

Denominado para a Sensibilidade Visual no Parque das Serras do Porto e liderado pelo arquiteto Gonçalo Andrade, da Xscapes, o estudo abrangeu os seis mil hectares de área do Parque das Serras do Porto e decorreu nos primeiros três meses de 2021 tendo, para o efeito, sido definidas duas grandes áreas, a bacia do rio Ferreira, a norte, e do rio Sousa, a sul.

“Numa primeira fase definiram-se os observadores fixos (o edificado) e os temporários (rede viária e todos os lugares de visitação), de acordo com a sua permanência no parque. Na segunda etapa estudou-se a envolvente e o interior do parque, e na terceira a sensibilidade da paisagem, assim se percebendo a incidência de visibilidade de todas estas componentes da paisagem”, explicou o arquiteto.

Gonçalo Andrade concluiu que o estudo “define critérios de análise de sensibilidade visual, cria um modelo de avaliação dessa sensibilidade para a paisagem, é uma ferramenta para a gestão e identifica as áreas de maior sensibilidade visual dentro do parque, sempre com o objetivo de integrar todos estes resultados no plano de gestão e que será revisto e aumentado nos próximos anos”.

Apresentado como “complemento da informação cartográfica decorrente dos Estudos Prévios e do Plano de Gestão do Parque das Serras”, o estudo feito no território que envolve os municípios de Gondomar, Valongo e Paredes, no distrito do Porto, é “uma ferramenta inovadora e muito útil em processos de análise de incidências no território”, disse Teresa Andresen, responsável da associação.

Em resposta a uma pergunta da Lusa, a arquiteta Teresa Andresen explicou a aplicabilidade do estudo sublinhando o alargar de horizontes.

“Eu não queria reduzir isto apenas à questão da mineração e à questão da produção energética porque são temas que de repente começaram a ocupar muito tempo da gestão do parque quando vínhamos a dar prioridade a outras matérias (…), mas vai, certamente, ajudar a suportar a decisão política com mais robustez técnica”, disse.

E prosseguiu: “Isto também se vai aplicar à gestão da floresta. Este é um território em que o grande problema é o abandono a que tem estado votado. Cerca de 25% da área é gerida pela Navigator, ou seja, temos aqui uma atividade económica rentável e que, portanto, não deseja fogo. Há aqui uma questão de alianças, de objetivos comuns”.

“Quando nós somos um parque de proteção dos recursos naturais, temos a consciência que a energia eólica, as energias renováveis, são o caminho favorável e é o que está traçado para 20/30 quer para Portugal, quer a nível europeu quer mundial”, lembrou a especialista, que alertou para a “complexidade” de “instalar centros produtores de energia eólica num contexto metropolitano densamente povoado por todos os lados”.

O atual presidente executivo do Parque das Serras, entidade gerida pelos municípios de Valongo, Gondomar e Paredes, José Manuel Ribeiro, assinalou tratar-se de “uma ferramenta de grande coragem”, considerando que “dá instrumentos aos políticos para decidir, mesmo que sejam coisas difíceis”.

“Este é mais um contributo extraordinário, pois permite-nos ser coerentes, de justificar a decisão individual e coletiva, naquilo que são os nossos pareceres. Acho que é um modelo muito interessante que toca a questão da sensibilidade visual do Parque das Serras. (…) Espero que possamos também estar a dar um contributo para aprimorar ainda mais este modelo e que ele possa ser replicado noutras áreas protegidas do território nacional”, acrescentou.

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