Estruturas representativas dos agricultores e olivicultores falam em desinformação 

[Fonte: Voz do Campo]

Num comunicado assinado pela Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo e a Olivum – Associação de Olivicultores do Sul – ambas rebatem “declarações veiculadas junto da opinião pública por parte de organizações ambientalistas, partidos políticos e jornalistas, que, por falta de conhecimento ou por razões ocultas, estão a promover a desinformação e a colocar em causa o trabalho e o contributo positivo dos agricultores para a dinamização da agricultura, para o desenvolvimento da região e para o combate às alterações climáticas”.

Segundo os representantes dos agricultores e olivicultores do Alentejo, utilizando informação técnico-científica, socioeconómica e ambiental, a atual realidade agrícola do Alentejo é:  “De acordo com a Carta de Uso de Ocupação do Solo de Portugal Continental de 2018, a agricultura do Alentejo pratica-se numa superfície agrícola utilizada (SAU) total de aproximadamente 2,6 Milhões de hectares. Constitui-se num mosaico agrícola diversificado, repartido por 54% de floresta (dos quais 42% corresponde a sistema de montado), 20% de culturas temporárias de sequeiro e regadio, 14% de pastagens naturais, 7% de olival (sequeiro e regadio), 3% de matos, 1% de vinha e 1% de pomares.
No Alentejo, estima-se que a área de regadio (público mais privado) deverá rondar os 10% da SAU. Desta área, o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva projeta irrigar 180 mil hectares.
Os agricultores são agentes com a dupla responsabilidade de produzir alimentos para todos, e a de preservar o meio ambiente onde atuam, no exercício da sua profissão. A modernização da agricultura é um imperativo a que os agricultores do Alentejo têm respondido com eficiência, num processo contínuo de inovação, tendo em conta que o sul da Europa, Portugal e, em concreto, o Alentejo, se encontram particularmente vulneráveis aos impactos das alterações climáticas. Estudos amplamente divulgados revelam uma tendência de diminuição da precipitação média,
com consequências graves nos recursos hídricos, na agricultura, na floresta, na biodiversidade. Fazer frente a estes cenários é uma responsabilidade que implica inovação e eficiência, que incluem maior produtividade com menos recursos.
É o que estão a fazer os agricultores. O regadio traz intensificação da agricultura, facto que não é novidade para ninguém. Gera maior  produtividade, uma exigência com a qual os agricultores também são confrontados em função das maiores necessidades de abastecimento público de alimentos. Portugal conseguiu, por via do regadio, em concreto do Alentejo, diversificar culturas, diminuir importação de alimentos, logo, maior qualidade, menores custos, menor pegada ecológica.
Os agricultores alentejanos têm vindo a apostar, entre muitas outras áreas, na cultura da oliveira irrigada por gota-a-gota, cuja área atual não ultrapassa os 70 mil hectares (cerca de 3% da SAU), e que é, ao contrário do que se faz crer, uma cultura com benefícios comprovados. Mediterrânica, autóctone, bem adaptada ao nosso clima e solos. Pouco exigente em água, a sua cultura permite também poupanças ao nível da utilização de fertilizantes ou fitofármacos. Também tem um papel relevante no combate à erosão dos solos. Usa modernos sistemas de rega gota-a-gota, monitorizados, com um número crescente de olivicultores a obter certificações de Uso Eficiente de Água. Tal como esta certificação, a prática em Modo de Produção Integrado tem regras muito específicas e ambientalmente sustentáveis. Mais ainda, a qualidade do azeite é verificada em rigoroso controlo de despistagem de resíduos tóxicos, processo obrigatório para a exportação.
Outro dado objetivo tem a ver com o facto da produção de azeite em 2018 se ter equiparado a valores já obtidos em Portugal, em 1953, contrariando o défice e respetivas importações. Na década de 90, apenas uma em cada duas garrafas de azeite eram de produção nacional. Hoje estão supridas as necessidades internas e o setor contribui de forma positiva para o saldo da balança comercial portuguesa.
Sem água não há biodiversidade, nem condições de deter o avanço da desertificação. Entre outras variáveis, o aumento da temperatura e a perda de humidade no solo são contrariados através da arborização, onde se integra a oliveira. Esta funciona como importante sumidouro de dióxido de carbono. Para produção de azeitona necessária à transformação de um litro de azeite, uma oliveira capta da atmosfera 11,5 quilos de carbono, processo no qual é emitido 1,5 quilos de C02. O olival em sebe aumenta consideravelmente o efeito de sumidouro deste gás que corresponde a cerca de duas a quatro toneladas por hectare. Estes são factos de grande relevância ambiental, demonstrando que a intensificação da cultura do olival não descura processos ecológicos ou de preservação de recursos naturais. Conserva matéria orgânica e aumenta a biodiversidade nos corredores não mobilizados entre as árvores.
O setor olivícola responde com êxito aos imperativos dos últimos quadros comunitários de apoio, que regulam de forma rigorosa a agricultura europeia, com ganhos de competitividade, inovação e conhecimento. Os novos desafios do regadio contribuem para a fixação de mão-de-obra altamente qualificada. Antes da água de Alqueva, o Alentejo viveu secas que ficaram na memória. Alqueva trouxe água e investimento. Aumento da produção. Trouxe gente para o Alentejo. Variedade produtiva. Mais conhecimento partilhado com entidades ligadas à investigação. Maior eficiência. Mais qualidade dos produtos. Há exemplos menos bons? Com certeza que os há. Qual a profissão que os não tem? Mas não temos  dúvidas que esses exemplos menos bons são uma ínfima minoria e que em nada beliscam o tudo de bom que esta realidade tem trazido à Região.
Constatando resistência à mudança, as estruturas representativas dos agricultores em geral e dos olivicultores em particular, refutam como incompreensíveis, injustas, e falsas, certas declarações recentes sobre a agricultura atual. E exigem respeito pelo trabalho que desenvolvem. Os novos tempos exigem novos desafios e os agricultores estão na primeira linha da inovação. Têm demonstrado, enquanto fileira, uma extraordinária evolução e adoção de práticas exemplares, de produção e proteção do meio ambiente, implicados na contenção dos efeitos das alterações climáticas.
Os agricultores defendem que é preciso conhecer. Trabalhar em conjunto. Com rigor. Com ética. É preciso que as suas entidades representativas sejam encaradas como parceiros ativos no delineamento de medidas concretas de defesa e valorização do território, e de quem nele exerce a sua profissão. Os novos desafios exigem decisões partilhadas e conhecimento.
E é precisamente com esta convicção, que convidamos todos aqueles que têm contribuído para a injusta onda de críticas a esta nova realidade agrícola, a virem ao terreno testemunhar com os seus próprios olhos o sucesso desta realidade agrícola que deve ser olhada como algo de muito positivo quer do ponto de vista agrícola, económico, social e ambiental”.

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