Estratégia Florestal Europeia – Modelos transversais que não potenciam a sustentabilidade das florestas portuguesas?

Estratégia Florestal Europeia – Modelos transversais que não potenciam a sustentabilidade das florestas portuguesas?

Após um processo enviesado de consulta pública onde as questões listadas sobre a Estratégia Florestal Europeia (EUFS) potenciavam em particular a componente ambiental, a UNAC, representando os sistemas agroflorestais mediterrânicos, deu o seu contributo através de resposta ao inquérito salientando a relevância da componente económica na manutenção da sustentabilidade ambiental e social, mas também evidenciando os riscos da naturalização em ecossistemas mediterrânicos, como os que existem em Portugal, onde o risco de incêndio é um dos principais fatores a considerar na gestão florestal.

Com base na versão draft da EUFS a que teve acesso, a UNAC manifesta o seu desacordo com o conteúdo proposto, nomeadamente:

  • Pela desconsideração da opinião do sector florestal
  • Na informação sobre o sector incorreta e sem fontes mencionadas
  • Na importância da multifuncionalidade e da gestão florestal sustentável
  • No papel da bioeconomia para além dos produtos de ciclo longo de retenção e integrada em cadeias de valor
  • Em apoios financeiros que não impeçam o desenvolvimento económico do sector
  • Com novos processos de certificação florestal.

Salientamos que o documento deveria ter sido discutido com as entidades responsáveis do sector, conforme explicitado no documento da EUFS: “incluindo todos os atores envolvidos na definição da estratégia e das medidas futuras”.

A abordagem transversal da Estratégia Florestal Europeia claramente não acautela futuros cenários de alterações climáticas, mais gravosos no sul da Europa, com consequente aumento do risco de incêndio, onde apenas estratégias de prevenção através de gestão florestal ativa poderão evitar cenários de catástrofe como os que ocorreram em Portugal e na Grécia, num passado recente.

Por fim, consideramos que a abordagem feita aos produtos florestais não lenhosos, é redutora da sua abrangência e do seu potencial em termos de mitigação das alterações climáticas, parecendo dirigir unicamente esforços da Europa para o turismo rural e colocando em segundo plano a relevância que os sistemas florestais e agroflorestais multifuncionais têm enquanto fornecedores destes produtos e na manutenção do equilíbrio económico e social das zonas rurais.

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