Discriminação de género na agricultura é transversal e persistente

Discriminação de género na agricultura é transversal e persistente

Estudo levado a cabo em 17 países revela

As mulheres são a espinha dorsal da vida no mundo rural. Como todos sabemos, elas lidam em pé de igualdade com as tarefas no campo e na pecuária, cuidam da família e são uma parte ativa na sociedade.

Estas mulheres, que já percorreram um caminho importante na sua formação técnica e específica para as tarefas que levam a cabo, apresentam um perfil que, globalmente e apesar das diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, é muito semelhante entre si. Estão orgulhosas de trabalhar no setor agrícola, mas também ambicionam um maior reconhecimento e consciência social do seu trabalho e das diferenças de género.

Para elas, é vital que a sociedade entenda a importância da conciliação e que, juntamente com o desenvolvimento da vida profissional, coexistam conceitos-chave como a família, a estabilidade financeira e a própria saúde.

Isto mesmo foi confirmado por um recente estudo realizado pela CortevaTM Agrisciences em cinco continentes e com uma amostra de mais de quatro mil mulheres rurais, que consideram que a discriminação ocorre em toda a parte.

É lamentável que a perceção dessa discriminação com base no género seja muito alta na Península Ibérica, onde mais de três quartos das mulheres acreditam que não existem as mesmas oportunidades nem as mesmas possibilidades de tomada de decisão sobre questões fundamentais, como a utilização dos recursos ou benefícios. Infelizmente, nesta perceção estamos ao mesmo nível da Índia.

Para o futuro, as mulheres rurais desejam mais formação, tanto académica quanto técnica, e uma maior consciência social das diferenças por género, para as quais propõem que o trabalho bem-sucedido que já realizam, seja convenientemente divulgado. Por isso, da mais otimista à mais pessimista, todas as mulheres pensam que levará mais de uma década, ou provavelmente duas ou três, até se alcançar a plena igualdade.

40% com rendimentos mais baixos que os seus pares masculinos

As mulheres que trabalham na agricultura em todo o mundo, seja em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, constatam que a discriminação de género é transversal, persistente e coloca obstáculos à sua capacidade de ajudar a fornecer alimentos à população mundial, de acordo com o novo estudo da CortevaTM Agriscience, a Divisão de Agricultura da DowDuPont TM.

O estudo agora publicado coincide com a celebração do Dia Internacional das Mulheres Rurais. A Corteva Agriscience encomendou o estudo, que se realizou em 17 países, incluindo a Península Ibérica, para destacar a importância das mulheres na agricultura e identificar as barreiras a uma participação plena e bem-sucedida. O estudo comporta os resultados de 4.160 inquiridas que vivem tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento nos cinco continentes.

“Realizou-se este estudo para entender melhor a atual situação das mulheres agricultoras em todo o mundo – desde as grandes explorações agrícolas em economias mais avançadas às pequenas propriedades de subsistência nos países em desenvolvimento – e para criar uma linha de base a partir da qual possamos medir o progresso”, afirma Krysta Harden, vice-presidente de Relações Externas e Responsável pela Sustentabilidade da CortevaTM Agriscience.

Alta perceção de discriminação por género na Península Ibérica

Os resultados do estudo revelam que, apesar de as mulheres se mostrarem unanimemente orgulhosas da sua participação na agricultura, sentem a discriminação de género em todos os lugares. Neste indicador, os países da Península Ibérica encontram-se equiparados à Índia, com 78% do total das inquiridas referindo a discriminação de género. O mais baixo valor é o dos Estados Unidos, com 52%.

Apenas metade das inquiridas afirma ter o mesmo sucesso que seus pares do sexo masculino, com 42% a considerar ter as mesmas oportunidades que os homens e 38% a sentirem-se empoderadas para tomar decisões sobre como investir na agricultura e pecuária.

Quase 40% das inquiridas afirmam ter rendimentos mais baixos que os homens e menos acesso a financiamento. No topo das suas preocupações surgem a estabilidade financeira, o bem-estar de suas famílias e alcançar um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Segundo Raquel Cortesão, responsável de nutrição animal da CortevaTM Agriscience Ibéria, existe na Península Ibérica “um sentimento de incompreensão em torno da conciliação e das necessidades famíliares no ambiente de trabalho, uma vez que apenas 22% das inquiridas afirmam estar satisfeitas neste aspeto face aos 33 por cento médios. Além do mais, um terço das inquiridas consideram que o seu salário é insuficiente, o que também nos coloca no topo da tabela”.

“Uma das maiores dificuldades sentidas é o tratamento que recebemos da parte de alguns clientes, vendo-nos como objetos e, independentemente da nossa capacidade e domínio técnicos, os comentários ultrapassam em muito esse fator” refere ainda  Raquel Cortesão “e impôr esse respeito leva bastante tempo numa visita, por vezes bastantes meses, ou anos, até conseguirmos gerir essas intervenções”.

Muitas mulheres afirmam que necessitam de mais formação para tirar partido da tecnologia agrícola, que se tornou essencial para o sucesso económico e gestão do meio ambiente. Este desejo de maior formação surge como o fator mais referido entre as respostas quando se trata de eliminar os obstáculos perante a diferenciação de género. Os números excedem significativamente os 50 por cento nos 17 países do estudo, com Brasil, Nigéria, Quénia, México e África do Sul à cabeça.

Necessidade de eliminar obstáculos

A maioria das mulheres vê progressos na igualdade de género, mas 72% afirmam que levará entre uma a três décadas ou mais para atingir a plena igualdade. De acordo com as respostas, cinco ações-chave são identificadas para eliminar os obstáculos à igualdade:

Mais formação em tecnologia (80% das inquiridas)
Maior formação académica (79%)
Mais apoio – legal e de outro tipo – para ajudar as mulheres agricultoras que sofrem discriminação por género (76%)
Aumentar a consciencialização pública sobre os sucessos das mulheres na agricultura (referido por 75%)
Aumentar a consciência social da discriminação de género na agricultura (74%)

“Sabemos que as mulheres representam quase metade dos agricultores mundiais e este estudo confirma que os desafios continuam a existir, pesando não só sobre as mulheres agricultoras, mas também sobre as pessoas que delas dependem: as suas famílias, as suas comunidades e sociedades. Identificar a existência destes desafios é o primeiro passo para remover os obstáculos para as mulheres agricultoras rurais desenvolvam todo o seu potencial”, diz Harden.

Dados do estudo

Foi realizado entre agosto e setembro de 2018.
Foram realizados aproximadamente 4.160 inquéritos em 17 países da Ásia-Pacífico (24%), América do Norte (21%), América Latina (21%), Europa (19%) e África (15%).
A maioria das mulheres está envolvida na agricultura e outras estão envolvidas noutras atividades agrícolas ou relacionadas com a agricultura.
As explorações agrícolas variam de pequenas propriedades de subsistência a empresas com mais de 300 trabalhadores.
As suas funções vão de proprietárias e diretoras a funcionárias e trabalhadoras.
A idade média das entrevistadas é de 34 anos.
Os países incluídos no estudo foram: Ásia-Pacífico – China, Índia, Indonésia, Austrália; América do Norte – EUA, Canadá; América Latina – Brasil, México, Argentina; Europa – França, Alemanha, Itália, Península Ibérica, Reino Unido; África – Quénia, Nigéria, África do Sul

 

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