Cultivo de plantas halófitas comestíveis como alternativa à agricultura convencional

Cultivo de plantas halófitas comestíveis como alternativa à agricultura convencional

Investigadores do Instituto Superior de Agronomia e do Centro de Ciências do Mar, da Universidade do Algarve desenvolvem projeto para cultivo de plantas halófitas comestíveis como uma cultura agronómica mais sustentável e para lançar novos alimentos com benefícios para a saúde.

As halófitas são plantas comestíveis tolerantes à salinidade. Estas espécies representam cerca de 1% da flora mundial e são frequentemente plantas ricas em proteínas, fibras, aminoácidos e vitaminas. O seu cultivo em condições de solo e água inadequadas para culturas convencionais pode ser uma alternativa de agricultura. É este o objetivo do projeto XTREMEVEGGIES liderado por investigadoras do LEAF do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa e do CCMAR da Universidade do Algarve que quer introduzir a agricultura salina quase inexistente, em Portugal, rentabilizando solos e sedimentos de áreas marginais, onde plantas atualmente com interesse económico são incapazes de sobreviver nestas condições extremas de salinidade.

Estas plantas halófitas, oferecem assim uma adição de rendimento às culturas com interesse económico. “Mais ainda, o estudo aprofundado destas espécies adaptadas a condições de salinidade elevada, oferece uma base molecular para o melhoramento tradicional das espécies de alto valor comercial. O investimento em pesquisas semelhantes que exploram espécies resilientes e multifuncionais, oferecem oportunidades de sustentabilidade económica aos nossos produtores através de soluções de baixo investimento e elevado potencial.”, refere a investigadora Ana Caperta do LEAF-ISA.

Fotografia de Ana Cortinhas

O projeto conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira cedendo terrenos para as investigadoras virem a testar o que atualmente desenvolvem em ambiente controlado, em condições de microcosmos. Nesta fase do projeto, importa avaliar o crescimento destas espécies marinhas vegetais em modo de produção e perceber as necessidades de melhoramento das propriedades dos sedimentos e/ou solos. Mas será que nestas condições as plantas mantêm as mesmas propriedades encontradas nas que crescem naturalmente? São os próximos passos deste projeto que avaliará também a viabilidade do aproveitamento de resíduos inorgânicos e orgânicos na perspetiva da economia circular nos sedimentos subutilizados, para a elaboração de Tecnosolos e utilização de água salobra na rega.

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