Conversas AgroGlobal. António Serrano da Jerónimo Martins Agroalimentar: “é importante, depois da crise, pensar na importância da soberania alimentar”

Conversas AgroGlobal. António Serrano da Jerónimo Martins Agroalimentar: “é importante, depois da crise, pensar na importância da soberania alimentar”

A AgroGlobal prossegue a ronda de conversas sobre os desafios e efeitos da crise no sector agrícola. Esta semana foi a vez de António Serrano, administrador da Jerónimo Martins Agroalimentar.

A Feira profissional de agricultura, a realizar-se, em Valada do Ribatejo, de 9 a 11 de Setembro, mantém a agenda e continua a sua organização.

As inscrições para expositores já estão abertas, aqui.

Nesta última conversa com Joaquim Pedro Torres, responsável pela organização da AgroGlobal, António Serrano, administrador da Jerónimo Martins Agroalimentar, afirma que “depois desta crise, é uma boa oportunidade de pensar na importância da soberania alimentar, que é uma questão que muitos falam nalguns momentos, mas não é devidamente valorizada. E a soberania alimentar é a capacidade de cada Estado-membro da União Europeia e de cada país, de uma forma geral, ter a capacidade de produzir aquilo que é básico para a sua população. Independentemente do mercado externo, das importações”.

Maior consumo de produção local

António Serrano considera que “provavelmente estaremos mais disponíveis no futuro a produzir mais produtos produzidos localmente no nosso País do que produtos vindos de fora. Se fizermos isso, (…) estamos a dar dois contributos. O primeiro é que fazemos aumentar a nossa actividade, protegemos a nossa produção, garantimos que este sector possa ser mais robusto no futuro, aumentando também a sua quantidade produzida localmente. Em segundo lugar, permite fazer o seguinte, reduz a pegada carbónica”.

“Se eu posso produzir localmente e reduzir a importação de produtos, que percorrem grandes distâncias para aqui chegarem, podemos também dessa maneira estar a dar um contributo importante para reduzir as emissões”, diz o administrador da Jerónimo Martins Agroalimentar.

Forte rede de cooperação no sector agrícola

“O nosso principal desafio e responsabilidade neste momento é sermos solidários, criar uma forte rede de cooperação no sector agrícola e planear de forma diferente a nossa produção”, sublinhando que é também o tempo de o sector primário afirmar a sua importância perante a sociedade: “um agricultor hoje é tão importante como um profissional de saúde”, acrescenta aquele responsável.

Em mais esta conversa da AgroGlobal,António Serrano diz que “quem produz tem hoje uma responsabilidade enorme que é de garantir que não vão faltar alimentos para a população. E acho que o agricultor hoje é tão importante como o é um profissional de saúde ou as profissões que estão no dia-a-dia a garantir o abastecimento dos serviços básicos, como da recolha do lixo”.

O administrador da Jerónimo Martins Agroalimentar afirma não saber “exactamente como vão ser os próximos meses,ninguém consegue prever. Mas há uma coisa de que eu tenho a certeza, é que neste momento de crise tão profunda, acho que não há quem não tenha dúvidas de quão importante é a função de produção de alimentos, de quão importante é o sector primário. Nós que andámos aqui há meses a responder a acusações e a desconfianças de que o sector primário era aquele que mais contribuía para aquilo que era a pegada de carbono e para as emissões… Não quer dizer que não haja muito aí a fazer eu não quero dizer que não tenhamos muito a corrigir nos nossos sistemas de produção. O agricultor, de uma forma geral, já o vinha fazendo”.

“É o momento de dizer, atenção, nós somos indispensáveis neste mundo,estamos próximos do cidadão, estamos para servir os cidadãos, somos um elemento fundamental para garantira produção de alimento para todos”, realça António Serrano.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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