Controlo natural da acácia-de-espigas no Parque Natural do Litoral Norte

Controlo natural da acácia-de-espigas no Parque Natural do Litoral Norte

O Parque Natural do Litoral Norte foi um dos locais pioneiros, em Portugal, na libertação do agente de controlo natural da acácia-de-espigas.

As espécies exóticas invasoras são já um elemento predominante na paisagem, com perdas económicas na produção florestal e na biodiversidade de habitats mais sensíveis.

A acácia-de-espigas Acacia longifolia, é uma das muitas espécies vegetais invasoras ao longo do litoral norte onde foi utilizada para conter o avanço das areias das dunas. Atualmente, com uma grande dispersão, tem sido alvo de várias campanhas de controlo através de corte e arranque dos exemplares juvenis.

Mais recentemente foi utilizada uma outra frente de ataque a esta espécie, nomeadamente através do uso de Trichilogaster acacialongifoliae (pequena vespa australiana que parasita a Acacia longifolia) como agente de controlo biológico, que reduz a produção de sementes (> 85%) e atrasa o crescimento vegetativo. Estando Portugal autorizado ao seu uso, pelo Comité Fitossanitário Permanente da União Europeia, a equipa responsável por este projeto, liderada pelas Dras. Hélia Marchante e Elizabete Marchante (Escola Superior Agrária / Instituto Politécnico de Coimbra e Centro de Ecologia Funcional/Universidade de Coimbra) iniciaram em 2015 a libertação dos primeiros exemplares deste parasita em áreas de S. Jacinto, Quiaios, Santo André e Esposende, zonas invadidas por Acacia longifolia.

No Parque Natural do Litoral Norte, em Esposende, e com a participação técnica do ICNF, a primeira campanha de libertação decorreu em dezembro de 2015, seguindo-se novembro de 2016 e dezembro de 2017, com fêmeas de Trichilogaster acaciaelongifoliae oriundas da África do Sul, país com experiência a de 30 anos no uso deste agente. Realizadas várias monitorizações, não foi possível observar nesta área a formação de galhas (como os bugalhos dos carvalhos) resultantes da colocação de ovos nas gemas florais (e vegetativas).

As temperaturas baixas, vento e chuvas podem ter contribuído para a dificuldade do organismo em completar o ciclo de vida nesta época, paralelamente com a necessidade do inseto sincronizar o seu ciclo de vida com as estações no hemisfério norte.
A campanha de 2018 realizada em julho, já com insetos resultantes de galhas obtidas em Portugal, resultou já na deteção da formação de galhas, possivelmente algumas de segunda geração resultantes da campanha de 2017.

Em maio de 2020 foram detetadas uma grande formação de galhas o que se traduziu numa redução significativa da produção de semente. Esta grande expansão resulta do ajustamento do ciclo de vida do inseto (fêmeas emergem da galha, colocam os ovos nas gemas e morrem em poucos dias). Apesar da lenta dispersão no território, verifica-se já o surgimento de formação de galhas em outras áreas sem intervenção.
Face ao sucesso deste projeto na área do Parque Natural do Litoral Norte, o controlo biológico da Acacia longifolia vai agora ser expandido para o município de Viana do Castelo que tem em curso um projeto POSEUR – “Recuperação Ecológica de Áreas Classificadas no Município de Viana do Castelo”, recentemente aprovado, que inclui largadas de Trichilogaster. Neste sentido, decorreu no passado dia 17 de junho, uma ação conjunta com técnicos do Parque Natural do Litoral Norte e do município de Viana do Castelo para recolha de galhas com os insetos. Os novos locais de libertação serão registados através da Aplicação Epicollect para monitorização futura da sua dispersão.

O artigo foi publicado originalmente em ICNF.

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